
por Reinaldo Polito
Publicado em 07/07/2024, às 06h00
Não convide a vergonha e a confiança para se sentarem à mesma mesa. Essas duas senhoras não se bicam. Basta uma aparecer para que a outra suma de vista. Todos nós, vez ou outra, corremos o risco de nos envergonharmos. Esse é um sentimento que nos deixa muito desconfortáveis. Por isso, precisamos afastá-lo da nossa vida.
A confiança acompanha a maioria de nós desde que nascemos. Quase todos, durante os primeiros anos, nos acostumamos a viver em um ambiente onde, aparentemente, nada podia atrapalhar a normalidade. Os fatos se sucediam de maneira coerente. A sequência dos acontecimentos se dava de forma determinada, obedecendo a uma ordem natural e harmoniosa.
O melhor dos mundos
Naquele mundo ingênuo, acreditávamos que jamais seríamos afetados por intercorrências ou contratempos. Sentíamo-nos tão protegidos e amparados que tínhamos a impressão de que a sensação de bem-estar que experimentávamos jamais poderia ser abalada.
Descobrimos depois que a vida não obedece a essa linearidade. Ao nos depararmos com situações que contrariavam aquela certeza de que poderíamos viver sempre em um mundo coerente, previsível, sem alterações, percebemos que o casulo que nos protegia não era assim tão invulnerável. Por isso, sentimo-nos inadequados, expostos a sentimentos que abalam nossa confiança e a fé em nós mesmos.
O sentimento de vergonha
Não, o mundo e as pessoas que nele habitam não eram o que imaginávamos ser. Conscientizamo-nos de que nada era tão confortável como idealizávamos. Somos avaliados, julgados, criticados por outros que nem sempre são generosos ou benevolentes. Da mesma forma, damo-nos conta de que não podemos confiar sem ressalvas naqueles com quem convivemos. Tornamo-nos, por esse motivo, inseguros, vulneráveis e frágeis. Nesse instante, passa a nos acompanhar o sentimento de vergonha.
Desde sempre, lutamos e continuamos nos esforçando a cada dia para ter uma história de vida e nos amparar em uma biografia da qual possamos sentir orgulho. Se, por uma ou outra razão, essa narrativa existencial for atacada e não pudermos nos mostrar como desejávamos que as pessoas nos vissem, ficaremos envergonhados.
Proteger o que conquistamos
Nossa vulnerabilidade se intensifica à medida que nos obrigamos a preservar de forma mais acentuada os nossos valores, a nossa imagem, as nossas conquistas, a nossa trajetória. Com receio de que esses atributos possam ser prejudicados, mais nos sujeitamos às investidas da vergonha.
Sim, quanto mais possuirmos e maior for a necessidade de preservarmos e protegermos o que conquistamos, mais teremos a perder. E ao nos sentirmos impotentes para essa tarefa, maior será o risco de nos tonarmos envergonhados.
A culpa
Há também um parceiro íntimo da vergonha que afasta de nós a confiança que precisamos ter - a culpa. São sentimentos bastante semelhantes, mas diferem muito na origem e nas suas características. Existe uma indicação que nos ajuda a compreender bem a distinção entre uma e outra.
Se percebermos que, de alguma maneira, a nossa integridade foi violentada, não há dúvida de que o sentimento que nos ataca é a vergonha. Se, entretanto, julgarmos que nos comportamos de forma inadequada, podemos ter certeza de que o adversário da vez é a culpa.
As armas de combate
A vergonha e a culpa afastam de nós a confiança. Para combater a vergonha só há uma solução: desenvolver e fortalecer cada vez mais a confiança. Ela permanecerá ao nosso lado se soubermos como enfrentar a vergonha. E essa deve ser uma luta permanente, de todos os dias.
As armas que devemos levar para esse combate precisam ser as mais eficientes: preparo, experiência, obstinação, persistência, trabalho, autoconhecimento, capacidade de adaptação, resiliência, motivação e outras aliadas que conseguirmos desenvolver e aprimorar.
Vale a pena investir
Investir na obtenção da confiança talvez seja uma das tarefas mais importantes da vida. Essa possivelmente seja uma das conquistas mais prazerosas. Como disse Ralph Waldo Emerson: “A confiança é o primeiro segredo do sucesso”.
Quando podemos contar com ela ao nosso lado, conseguimos realizar praticamente tudo o que desejamos: relacionamo-nos com tranquilidade e desenvoltura em qualquer ambiente, seja em ocasiões sociais ou nos ambientes profissionais.
Participamos de maneira mais competente das reuniões corporativas, das entrevistas, das rodas de negociações. A confiança nos permite proferir palestras eficientes, ministrar boas aulas, liderar bem grupos de pessoas. Enfim, exploramos nossas competências na sua plenitude e passamos a ser pessoas mais felizes.
Leia também

Relembre a Lei Mariana Ferrer, criada após revolta com audiência do caso

Anac autoriza duas novas companhias aéreas internacionais a operar no Brasil

Investigado por suposta falsificação de peças de luxo já foi denunciado pelo GAECO em caso de roubo de cargas

Incêndio destrói galpão de distribuidora de autopeças na Lapa, em São Paulo

Apoiadora de Bolsonaro realiza vigília em condomínio mesmo após restrição imposta por Moraes

STF oficializa fim da aposentadoria compulsória como punição máxima para juízes

Influenciadora rebate críticas por namoro com ex-presidente da CBF 53 anos mais velho

Metrô de São Paulo distribui álbuns da Copa do Mundo e promove ação solidária com figurinhas repetidas

Torre Eiffel fecha as portas em meio a onda de calor histórica que castiga a França

Mulher é condenada a 66 anos de prisão por envenenar ovo de Páscoa e matar crianças no Maranhão