Proposta gerou protestos e foi criticada por especialistas como um retrocesso democrático e uma ameaça à corrupção

Gabriela Thier Publicado em 24/09/2025, às 14h40
Nesta quarta-feira (24), a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado Federal decidiu, por unanimidade, rejeitar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) conhecida como "Blindagem". Todos os 27 senadores presentes na CCJ votaram contra a proposta, que tinha como objetivo exigir autorização prévia da Câmara ou do Senado para processar criminalmente deputados e senadores.
O presidente da CCJ, senador Otto Alencar (PSD-BA), anunciou que o relatório que rejeita a PEC será levado ao plenário do Senado ainda hoje, onde todos os 81 senadores poderão deliberar sobre a questão.
Alencar destacou: "Vamos ao Plenário, com compromisso do presidente Davi Alcolumbre [União-AP], de encerrar hoje essa votação e, sem dúvida nenhuma, rejeitar essa Proposta". A PEC já havia sido aprovada na Câmara dos Deputados em um primeiro turno com 353 votos favoráveis.
No âmbito da CCJ, nenhum senador se manifestou a favor da proposta, e mais de 20 se inscreveram para expressar suas objeções. A PEC, apelidada de "PEC da Bandidagem", gerou intensos protestos nas ruas no último domingo (21).
O relator Alessandro Vieira (MDB-SE) argumentou pela rejeição da proposta, alegando que ela poderia facilitar a entrada do crime organizado no Congresso Nacional. O senador Jorge Seif (PL-SC), que inicialmente propôs um voto em separado para modificar a proposta, retirou seu relatório alternativo e se uniu à decisão do relator.
Vieira também desconsiderou emendas apresentadas por outros senadores que buscavam alterar a PEC para permitir sua tramitação com modificações. Segundo ele, as emendas não eram adequadas devido ao que considerou um "vício insanável de desvio de finalidade". O relator enfatizou que o verdadeiro objetivo da proposta não era proteger o interesse público, mas sim atender aos interesses pessoais de alguns parlamentares que buscam obstruir investigações criminais.
Especialistas e entidades dedicadas ao combate à corrupção alertaram que a aprovação da PEC poderia inviabilizar ações penais contra corrupção associadas ao uso de emendas parlamentares.
A senadora Eliziane Gama (PSD-MA) criticou a proposta por criar uma "casta" de privilegiados e recordou os protestos em todas as capitais logo após sua aprovação na Câmara. Ela afirmou: "[A PEC] nasceu com o objetivo de criar um muro de impunidade e criar uma nova casta no Brasil".
O senador Humberto Costa (PT-PE) também se posicionou contra a PEC, mencionando que muitos parlamentares mudaram suas posturas após perceberem a forte reação popular. "Hoje o Senado vai decretar o fim dessa proposta indecente", afirmou Costa.
Por outro lado, Carlos Portinho (PL-RJ), líder da oposição no Senado, reconheceu que a PEC é problemática, mas ressaltou que membros da base do governo também haviam apoiado sua aprovação inicial na Câmara. Ele ressaltou: "Essa PEC é uma indecência. Nenhum de nós vai estar aqui para defender bandido".
Caso fosse aprovada, a proposta também estenderia a exigência de autorização prévia para processar deputados estaduais e distritais, levantando preocupações sobre um possível incentivo à infiltração do crime organizado nos parlamentos locais.
Eduardo Braga (MDB-AM), líder do MDB no Senado, criticou duramente a proposta, caracterizando-a como um grave retrocesso democrático e uma ofensa ao povo brasileiro. Ele enfatizou: "Essa PEC desmoraliza o mandato popular".
No debate sobre imunidade parlamentar, os senadores abordaram as diferenças entre imunidade material e imunidade processual. Alguns afirmaram que a primeira estaria sendo violada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), enquanto outros argumentaram que essa imunidade deve ser limitada quando ultrapassa os limites legais.
O senador Omar Aziz (PSD-AM) destacou que a Constituição estabeleceu imunidade processual em um contexto histórico específico e lembrou que essa proteção não é absoluta. Aziz afirmou: "Essa PEC é imoral - não é ideológica - ela é imoral!"
O debate também incluiu referências ao senador Marcos do Val (Podemos-ES), atualmente sob investigação pelo STF por suposta tentativa de obstruir investigações policiais. O caso dele foi mencionado como parte da justificativa dos defensores da PEC sobre suposta perseguição por parte do Judiciário.
Em resposta às alegações de perseguição política, o líder governista Randolfe Rodrigues (PT-AP) reiterou que mesmo as imunidades previstas na Constituição têm limites e não podem ser usadas para violar leis ou direitos alheios. Ele concluiu enfatizando que "nenhum direito é absoluto" e destacou a necessidade de responsabilidade entre os parlamentares.
Leia também

Dom Rafael perde direitos dinásticos após anunciar casamento

Motorista de Porsche morre após colisão contra mureta na Rodovia dos Imigrantes

Loja de fotografia é destruída por incêndio em Campinas; câmeras registram ação de suspeito

A Fazenda 18 já tem data de estreia; saiba qual

Quase 900 cobras escapam de criadouro durante enchentes no sul da China

Josh Grisetti, estrela de musicais da Broadway, morre aos 44 anos

Moraes suspende visitas de Flávio Bolsonaro ao pai por 90 dias e investiga possível propaganda eleitoral antecipada

Grupo quer Flávio longe de Lucas Bove; deputado é réu e defende "corrupto cristão"

São Paulo tem queda de casos graves ligados à influenza

Dino bloqueia R$ 6,15 milhões de Eduardo Cunha em apuração sobre emendas parlamentares