Ministro Javier Giménez reafirma a necessidade de respostas do Brasil sobre a operação de espionagem da Abin durante governo Bolsonaro

por Marina Milani
Publicado em 19/06/2025, às 11h30
Na quarta-feira (18), o governo paraguaio reafirmou sua "posição firme" ao solicitar esclarecimentos do Brasil acerca das recentes alegações de espionagem que visavam obter informações relacionadas às tarifas da hidrelétrica binacional Itaipu. O assunto voltou a ganhar destaque em Assunção após a divulgação de novas reportagens.
Javier Giménez, ministro da Indústria e Comércio do Paraguai, declarou à rádio "ABC Cardinal" que a administração paraguaia espera receber explicações detalhadas sobre os eventos mencionados. Ele destacou que o governo brasileiro, sob a liderança de Luiz Inácio Lula da Silva, negou envolvimento na operação de espionagem. No entanto, há um reconhecimento por parte do governo de Lula sobre a realização de tais ações durante a gestão de Jair Bolsonaro, por meio da Agência Brasileira de Inteligência (Abin).
Em março deste ano, o governo brasileiro admitiu que a Abin conduziu uma operação de espionagem contra o Paraguai em 2022, durante o governo Bolsonaro, e informou que essa operação foi encerrada em 27 de março de 2023. Após esse reconhecimento, os ministros das Relações Exteriores dos dois países se reuniram em abril em Buenos Aires para discutir o tema e tentaram reestabelecer as relações bilaterais.
Durante essa reunião, Mauro Vieira, chefe da diplomacia brasileira, afirmou que seu governo estava conduzindo uma investigação abrangente para elucidar os fatos graves relacionados à espionagem e que aguardava resultados das autoridades competentes.
Giménez reiterou hoje que o Paraguai ainda aguarda o documento explicativo e que o Ministério das Relações Exteriores está empenhado em "construir essa ponte" para garantir que a solicitação seja atendida de maneira satisfatória. Ele ressaltou a importância de retornar às mesas de negociações sobre o Anexo C do acordo referente à Itaipu, cuja discussão foi suspensa pelo Paraguai em resposta às denúncias de espionagem.
O Anexo C do Tratado de Itaipu, firmado em 1973, estabelece que o Paraguai deve vender ao Brasil a energia excedente produzida na usina a preços preferenciais. Em 2024, os dois países acordaram aumentar as tarifas pagas pelo Brasil nos próximos três anos para US$ 19,28 por quilowatt-mês, um incremento aproximado de US$ 2,50.
Recentemente, novos relatos na mídia paraguaia sugeriram que o governo Lula teria dado continuidade às atividades de espionagem, incluindo informações sobre acesso antecipado a um discurso proferido pelo então ministro paraguaio das Relações Exteriores, Julio Arriola, em março de 2023.
Giménez enfatizou que é crucial para o Paraguai obter respostas à reclamação inicial e expressou o desejo do país em "reconstruir" suas relações com o Brasil. Ele também sublinhou a importância do Brasil como principal parceiro comercial do Paraguai e mencionou outras questões além do Anexo C que necessitam ser abordadas.
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