Acusado de espancar e fazer pressão psicológica contra ex-mulher, Bove vira caso de polícia

Jair Viana Publicado em 07/09/2025, às 17h38
Durante o ato em defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL-DF), neste domingo (7), um grupo de manifestantes direcionou seu protesto para uma causa específica. Mulheres de direita, integrantes do mesmo espectro político do homenageado, levantaram cartazes e faixas contra o deputado estadual Lucas Bove (PL). Panfletos distribuídos carregavam mensagens contundentes, como “Bove, respeite as mulheres”, marcando uma dissidência dentro do próprio campo ideológico durante o evento.
A motivação do protesto são as graves acusações de violência doméstica feitas pela ex-mulher do parlamentar, a influenciadora Cíntia Chagas. Ela relatou em redes sociais e em delegacia ter sido vítima de agressões físicas e psicológicas durante o relacionamento. Bove, que é membro do PL, mesmo partido de Bolsonaro, nega com veemência as acusações e afirma que vai comprovar judicialmente sua inocência perante os fatos apresentados.
O caso coloca em evidência a complexidade das pautas conservadoras quando confrontadas com questões de conduta pessoal de suas lideranças. As manifestantes, ao se posicionarem publicamente, sinalizam uma demanda por coerência e integridade, exigindo que bandeiras em defesa da família sejam praticadas também no ambiente privado por aqueles que as representam.
Historicamente, denúncias de violência contra a mulher frequentemente enfrentaram barreiras para serem devidamente apuradas, sendo tratadas como questão privada. A Lei Maria da Penha, sancionada em 2006, foi um marco crucial ao reconhecer a gravidade desse tipo de violência e estabelecer mecanismos para coibi-la, além de promover uma mudança cultural para que tais crimes não permaneçam encobertos.

A mobilização de grupos políticos conservadores contra um de seus próprios representa um passo significativo nessa evolução. A ação demonstra que a defesa dos direitos das mulheres transcende divisões partidárias, pressionando por accountability mesmo dentro de suas fileiras e reforçando que a violência doméstica é uma questão inegociável de direitos humanos, e não de ideologia.
A reportagem tentou contato com o deputado estadual Lucas Bove (PL), mas não houve retorno até a publicação deste artigo. O espaço segue aberto para manifestações.
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