Presidente ressalta a importância do gás natural como item essencial da cesta básica e cobra maior contribuição da estatal para o desenvolvimento nacional.

por Marina Milani
Publicado em 26/08/2024, às 17h47
O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, declarou nesta segunda-feira (26) que a Petrobras deve priorizar o fornecimento de gás natural para a população em vez de queimá-lo. A declaração foi feita durante uma solenidade no Ministério de Minas e Energia, após reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), onde foram anunciadas medidas para ampliar a oferta de gás no país.
Lula criticou a prática da estatal de injetar grande parte do gás natural dos poços do pré-sal para aumentar a pressão interna e extrair mais petróleo. "O gás é barato. A Petrobras não tem o direito de queimar gás. Ela tem o direito de trazer o gás e colocar o gás à disposição desse povo. Para que o povo pobre possa fazer comida, se não vai fazer a volta à lenha", afirmou o presidente, destacando a necessidade de tornar o gás acessível para a população.
O presidente também enfatizou que o gás deve ser considerado um item essencial da cesta básica, ressaltando a disparidade entre o custo do produto para a Petrobras e o valor pago pelos consumidores. “A população não consegue pagar botijão de gás a R$ 140 em alguns Estados, enquanto o produto sairia da Petrobras por R$ 36”, criticou.
Crítica ao acordo com a União Europeia
Durante o evento, Lula defendeu a necessidade de a Petrobras investir em pesquisa, inovação e no crescimento de empresas brasileiras por meio da adoção de conteúdo nacional em suas operações. Ele enfatizou que a estatal deve contribuir para o fortalecimento da indústria nacional ao adquirir equipamentos e serviços de empresas locais, prática que, segundo ele, é fundamental para o desenvolvimento do país.
“O conteúdo nacional é importante porque a Petrobras não é uma empresa só de petróleo e gás. É uma empresa de investimento em pesquisa, em inovação, e para ajudar as empresas brasileiras a crescerem”, afirmou Lula.
O presidente também aproveitou a ocasião para criticar aqueles que defendem a inclusão das compras governamentais no acordo entre Mercosul e União Europeia, chamando-os de “vira-latas”. Para Lula, permitir que empresas estrangeiras participem de compras governamentais prejudicaria o desenvolvimento da indústria nacional.
“Compras governamentais são um instrumento de desenvolvimento de política industrial de um país que quer ser grande, que quer ser soberano. Se o Estado não tiver possibilidade de comprar da pequena e média empresa brasileira, de investir em inovação, nós vamos fazer o quê? Ficar comprando tudo do exterior?”, questionou o presidente.
As declarações de Lula reforçam seu compromisso com a ampliação do acesso ao gás natural e o fortalecimento da indústria nacional, questões que ele considera essenciais para o desenvolvimento econômico e social do Brasil.
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