Ministra do Meio Ambiente afirmou que uma ‘punição exemplar’ deve ser aplicada caso o princípio das chamas seja criminoso

William Oliveira Publicado em 25/08/2024, às 18h54
Neste domingo (25), a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, afirmou que as inúmeras queimadas registradas no interior de São Paulo se tratam de um caso incomum e precisam ser investigadas.
"Em São Paulo não é natural, em hipótese alguma, que, em poucos dias, você tenha tantas frentes de incêndio envolvendo concomitantemente vários municípios. Mas obviamente isso aí são as investigações que vão dizer", afirmou a ministra.
De acordo com Marina Silva, uma “punição exemplar” deve ser dada aos responsáveis, onde for constatado que o princípio do fogo não foi acidental. A ministra ainda falou da suspeita de que o caso se trate de um novo "dia do fogo".
"Do mesmo jeito que nós tivemos o 'dia do fogo', há uma forte suspeita de que agora esteja acontecendo de novo", acrescentou Marina.
A declaração da ministra foi feita nesta tarde em Brasília, após uma visita com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à central de monitoramento de incêndios florestais do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
Até o momento, a Polícia Federal (PF) abriu dois inquéritos para apurar os motivos das queimadas no interior paulista, justificadas pelo enorme prejuízo causado ao funcionamento dos aeroportos de Ribeirão Preto e São José do Rio Preto.
"Só a investigação vai poder identificar o que está por trás dessas ações", disse o diretor-geral da PF, Andrei Passos Rodrigues.
Para auxiliar nas investigações, 14 delegacias do estado de São Paulo foram selecionadas para uma ação conjunta com a Diretoria de Meio Ambiente, para acompanhar a situação dos incêndios no interior paulista.
Dia do Fogo
O "dia do fogo", mencionado pela ministra, ocorreu em agosto de 2019 no Pará. Naquela época, a PF descobriu que os incêndios foram combinados via redes sociais para acontecer simultaneamente em Altamira e Novo Progresso, no sudoeste do estado.
Segundo a investigação, alguns fazendeiros, empresários e produtores rurais da região coordenaram as queimadas, com alguns colaborando na compra de gasolina e óleo diesel e outros ajudando na execução dos incêndios.
Naquela ocasião, os efeitos das queimadas foram sentidos em várias partes do país, semelhante ao que está acontecendo neste domingo. As condições climáticas, como o tempo seco e as fortes ondas de ventania, contribuem para a propagação do fogo e da fumaça.

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