O petista também alegou que a ex-presidente teve dificuldades para governar durante o mandato dela por causa de adversários

Mateus Omena Publicado em 26/08/2022, às 11h03
O candidato à Presidência da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reconheceu que a ex-presidente Dilma Rousseff cometeu equívocos na política econômica de seu mandato, especialmente no que ele chamou de “questão da gasolina”. A declaração foi feita durante entrevista ao Jornal Nacional (TV Globo), na quinta-feira (25).
Apesar da crítica sobre esse fator, o petista defendeu Dilma, apontando que a ex-presidente fez um mandato focado na manutenção de políticas sociais, priorizando os grupos mais vulneráveis.
"Dilma fez um primeiro mandato presidencial extraordinário, porque a crise se agravou, a crise internacional, mesmo assim ela se endividou para poder manter as políticas sociais", disse.
Durante a sabatina, Lula foi questionado pelos apresentadores Renata Vasconcellos e William Bonner que, caso seja eleito, pensa em implementar quais políticas econômicas e se elas seriam semelhantes àquelas adotadas por seus governos anteriores (2003-2010) ou as elaboradas por Dilma, que sofreu um impeachment em 2016.
O candidato respondeu que o maior erro da ex-presidente foi na “questão da gasolina”, pois ela sofreu muitas críticas em razão do preço do combustível e das decisões que tomou para resolver o problema.
“Dilma cometeu equívoco na questão da gasolina. Ela sabe que eu penso isso, cometeram equívoco na hora que fizeram R$ 540 bilhões de desonerações", explicou.
Lula afirmou que Dilma é uma das pessoas pelas quais ele possui um "profundo respeito pela competência" e agradeceu ao trabalho que ela realizou como chefe da Casa Civil em seu governo.
Dilma Rousseff atuou como ministra de Minas e Energias de 2003 a 2005 e depois trabalhou como ministra da Casa Civil até 2010, durante o último mandato de Lula.
No entanto, o candidato à presidência apontou que os principais adversários de Dilma durante o mandato dela, Eduardo Cunha - na época presidente da Câmara dos Deputados - e Aécio Neves - que havia sido derrotado pela petista nas eleições presidenciais de 2014 - se uniram para impedir qualquer iniciativa da presidente para lidar com a crise econômica.
"Ela tinha uma dupla dinâmica contra ela, Eduardo [Cunha], sabe, o [então] presidente da Câmara, e o Aécio [Neves] no Senado, que trabalharam o tempo inteiro para que ela não pudesse fazer nenhuma mudança".
Além destes políticos, Lula também disse que Michel Temer (MDB), o então vice-presidente de Dilma, trabalhou para prejudicar a petista.
Lula é o terceiro candidato das eleições para presidência a ser sabatinado pelos apresentadores do Jornal Nacional. Na segunda-feira (22), foi a vez do presidente Jair Bolsonaro (PL); Na terça-feira (23), do candidato Ciro Gomes (PDT). Simone Tebet (MDB) vai participar nesta sexta-feira (26). A ordem foi estabelecida por sorteio.
#AOVIVO Lula (PT) responde a pergunta sobre economia #JN
— Jornal Nacional (@jornalnacional) August 25, 2022
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