Com seu jeitão mineiro de Ituiutaba, o deputado federal está costurando um acordo

Jair Viana Publicado em 03/08/2022, às 11h32
Com apenas 1% das intenções de voto, segundo pesquisa Datafolha divulgada na semana passada, na disputa pela presidência da República, o deputado federal André Janones (Avante-MG), numa jogada de político experiente, ganhou os holofotes nos últimos dias, forçando uma projeção nacional maior que a esperada.
Em um lance estratégico, Janones buscou aproximação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que lidera a disputa eleitoral, podendo desistir da briga pelo Palácio do Planalto.
O deputado usou as redes sociais para emplacar o sucesso de sua estratégia. Ele e Lula trocaram mensagens nas redes sociais. Em conversas ao pé do ouvido, nos bastidores, costuram um acordo que deve ser confirmado e anunciado nesta quinta (4).
Janones já sinalizou que estaria disposto a abrir mão de sua candidatura à presidência, desde que Lula incorpore suas sugestões no programa de governo de sua coligação.
No comitê de Lula, os articuladores dos acordos, trabalham para garantir a vitória já no primeiro turno.
Para conseguir o feito, Lula teria que ter um voto a mais que a soma dos demais candidatos. Ou seja, cinquenta por cento mais um voto.
Embora Janones apareça na pesquisa com apenas 1%, este pode ser número de votos suficiente para dar a Lula a vitória em 2 de outubro.
Em nota divulgada nesta terça-feira (2), a campanha do petista confirmou que vai se reunir com representantes de Janones "nos próximos dias, para aprofundar o debate sobre questões programáticas comuns".
"O entendimento é que há espaço para o diálogo, para o entendimento e para uma ampla e construtiva convergência programática em temas fundamentais para a reconstrução do Brasil", diz texto enviado pela equipe de Lula.
Mineiro de Ituiutaba, com jeito simples de falar com o público, Janones é advogado, tem escritório próprio e foi candidato pela primeira vez em 2016, quando disputou eleição para prefeito de sua cidade natal. Ficou em segundo lugar, com 13.759 votos.
Na vida partidária, além do Avante, já foi filiado ao PT (2003-2012) e ao PSC (2012-2018). Ao comentar sua saída do PT, acusou o Partido dos Trabalhadores de ser uma "seita".
Em 2018, durante a greve dos caminhoneiros no Brasil, Janones usou as redes sociais para se mostrar presente nas discussões e ficou conhecido após participar frequentemente de lives. Colheu os louros na eleição daquele ano, sendo eleito deputado federal por Minas Gerais, com 178.660 votos.
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