Com o espaço aéreo fechado, ministério avalia saída por terra até a Jordânia para garantir retorno seguro ao Brasil

Lívia Gennari Publicado em 15/06/2025, às 20h31
O Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) acompanha de perto a situação das duas delegações brasileiras que estavam em viagem oficial a Israel, e ficaram retidas no país após o fechamento do espaço aéreo provocado pelo agravamento da crise entre Israel e Irã.
Segundo nota divulgada neste sábado (14), a embaixada brasileira em Tel Aviv mantém contato direto com as comitivas, enquanto o Itamaraty dialoga com o governo israelense para garantir segurança às delegações e viabilizar seu retorno ao Brasil assim que for possível.
Com o aeroporto internacional de Tel Aviv fechado desde a noite de quinta-feira (12) e sem previsão para reabertura, o ministério avalia a alternativa de evacuação terrestre até a Jordânia, de onde os brasileiros poderiam embarcar em voos para o Brasil.
Ainda conforme o Itamaraty, o secretário de África e Oriente Médio do ministério pediu à diplomacia israelense que conceda tratamento prioritário às comitivas brasileiras, reforçando a necessidade de garantir a saída segura dos grupos. Até o momento, as autoridades israelenses orientam que as delegações estrangeiras permaneçam em território israelense até que o cenário permita a viagem aérea ou terrestre.
Gleisi articula repatriação
Ainda neste sábado, a ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, fez contato telefônico com os prefeitos Álvaro Damião, de Belo Horizonte, e Cícero Lucena, de João Pessoa, que estão entre os brasileiros em Israel, próximos à zona de conflito.
Durante a conversa, Gleisi destacou que o governo está empenhado em buscar soluções para repatriar os brasileiros, embora o fechamento do espaço aéreo dificulte as operações. A ministra deve retomar as tratativas com autoridades nos próximos dias.
“A ministra comunicou ao prefeito Damião, que coordena o grupo no local, as negociações do Itamaraty com as autoridades israelenses para garantir o retorno seguro da delegação, que também inclui representantes do Consórcio Brasil Central”, informou o ministério.
Parlamentares criticam postura do governo brasileiro no conflito
Parlamentares do grupo Brasil-Israel, que reúne senadores e deputados federais, divulgaram uma nota de repúdio à postura do governo Lula diante do conflito entre Israel e Irã. Segundo o grupo, o Planalto estaria adotando uma posição conivente com regimes que promovem o terror, em vez de se alinhar a nações democráticas. A nota, assinada pelo senador Carlos Viana (Podemos-MG), também acusa o governo de dificultar as negociações para retirada de brasileiros em áreas de risco.
Delegações oficiais ainda em Israel
Na noite de sexta-feira (13), a Comissão de Relações Exteriores do Senado reuniu os nomes de autoridades brasileiras que ainda estão em zonas de risco, à espera de uma estratégia para deixar o país. A relação inclui prefeitos, secretários estaduais e municipais, técnicos e membros de consórcios regionais. Veja os nomes:
Distrito Federal
A primeira-dama do DF deixou Israel antes da escalada do conflito.
Goiás
Rondônia
Mato Grosso do Sul
Consórcio Brasil-Central
Prefeitos e vice-prefeitos
Secretários municipais e representantes locais
A situação segue sob monitoramento constante, enquanto a diplomacia brasileira busca alternativas para garantir a segurança dos cidadãos e o retorno o mais breve possível.
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