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Meio Ambiente

Estudo revela que investimentos climáticos no Brasil mais que dobraram desde 2019

Os setores de energia e AFOLU se destacam, mas o investimento em florestas caiu drasticamente

Os setores de energia e AFOLU se destacam, mas o investimento em florestas caiu drasticamente - Imagem: Reprodução / Pixabay
Os setores de energia e AFOLU se destacam, mas o investimento em florestas caiu drasticamente - Imagem: Reprodução / Pixabay

Gabriela Thier Publicado em 07/11/2025, às 16h07


Um novo estudo divulgado esta semana pelo Climate Policy Initiative (CPI), vinculado à Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ), revela um aumento significativo nos investimentos voltados para ações climáticas no Brasil. Desde 2019, esses investimentos mais que dobraram, atingindo a marca de US$67,8 bilhões em 2023.

De acordo com Joana Chiavari, diretora de pesquisa do CPI/PUC-Rio, "a mobilização de recursos financeiros voltados para o clima é fundamental para alcançar as metas climáticas e de desenvolvimento do Brasil, além de fomentar uma adaptação mais eficaz às mudanças climáticas e mitigar as vulnerabilidades socioeconômicas".

Os setores que mais contribuíram para esse crescimento foram os de energia e Agropecuária, Florestas e Outros Usos da Terra (AFOLU). No setor energético, os investimentos dispararam de US$9,5 bilhões entre 2020 e 2021 para impressionantes US$22,4 bilhões em 2022 e 2023. No segmento de AFOLU, os recursos quase duplicaram, passando de US$14,9 bilhões para US$28 bilhões no mesmo período, com destaque para práticas sustentáveis em agricultura, agrossilvicultura e pecuária.

No entanto, o setor florestal recebeu apenas 1% do total dos investimentos. O montante destinado a florestas caiu drasticamente de US$1,5 bilhão em 2019 para apenas US$254 milhões em 2023.

Juliano Assunção, diretor executivo do CPI/PUC-Rio, enfatizou a importância das florestas na luta contra as mudanças climáticas: "O baixo nível de investimento neste setor evidencia que o potencial das florestas na agenda climática ainda não foi plenamente explorado. Para avançarmos no enfrentamento das mudanças climáticas, é essencial reconhecer as florestas como ativos fundamentais".

Os dados mostram que as fontes nacionais foram responsáveis por cerca de 90% dos investimentos totais entre 2019 e 2023. O financiamento privado se destacou ao representar mais de dois terços dos recursos alocados em 2022 e 2023, com contribuições significativas de instituições financeiras, residências e empresas. No âmbito público, o governo federal e o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) lideraram os financiamentos com médias anuais de US$6,6 bilhões e US$7,2 bilhões, respectivamente.

Em termos de destinação dos recursos, a mitigação das mudanças climáticas absorveu 79% do total investido, enquanto a adaptação representou apenas 7%. As iniciativas que contemplam objetivos duplos somaram 11%. Embora ainda representem uma fração menor do total, os recursos destinados a perdas e danos aumentaram consideravelmente: saltaram de US$0,2 bilhão em 2019 para US$2,2 bilhões em 2023. Em resposta à tragédia climática ocorrida no Rio Grande do Sul em 2024, esse montante atingiu a cifra alarmante de US$8,1 bilhões.

Segundo o Climate Policy Initiative, este mapeamento estabelece uma linha de base crucial para acompanhar a adequação dos investimentos à agenda climática nos próximos anos. Isso ocorre em meio à expectativa gerada pelo compromisso firmado na COP29 de mobilizar US$300 bilhões até 2035 — frente à estimativa global que aponta a necessidade de um total de US$1,3 trilhão para enfrentar a crise climática.


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