Diário de São Paulo
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Operação que prendeu Deolane revela ligação entre operador financeiro do PCC e esquema de lavagem de dinheiro na Transunião

Investigação da Polícia Civil e do MP aponta que Everton "Player" mantinha conexões com integrantes da empresa de ônibus alvo da Operação Última Parada

Policiais apreenderam caixa com dinheiro identificada com o nome de Deolane na casa de Everton de Souza - Imagem: Reprodução
Policiais apreenderam caixa com dinheiro identificada com o nome de Deolane na casa de Everton de Souza - Imagem: Reprodução

Redação Publicado em 25/06/2026, às 16h26


A investigação que deu origem à Operação Última Parada, deflagrada nesta quinta-feira (25) pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP), revelou uma possível ligação entre integrantes da Transunião, empresa de transporte coletivo da capital paulista, e Everton de Souza, conhecido como "Player", apontado como operador financeiro do Primeiro Comando da Capital (PCC).

Segundo os investigadores, a relação entre Player e a companhia de ônibus foi identificada a partir da transferência de um veículo de luxo para o nome de Lourival de França Monário, o "Orelha", atual presidente da Transunião e um dos alvos da operação. A movimentação é considerada pelos órgãos de investigação como um elo entre diferentes apurações envolvendo o braço financeiro da facção criminosa.

Everton foi preso em maio durante a Operação Vérnix, ação que também teve como alvo a influenciadora Deolane Bezerra e integrantes ligados ao grupo comandado por Marcos Willians Herbas Camacho. Na denúncia apresentada pelo Ministério Público naquele caso, ele é descrito como responsável por acompanhar prestações de contas e controlar o fluxo financeiro de uma estrutura utilizada para esconder e reinserir recursos ilícitos na economia formal.

A apuração aponta ainda que a Transunião teria realizado repasses financeiros para Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, sobrinho de Marcola, indicado pelos investigadores como um dos beneficiários dos valores movimentados pelo esquema.

Movimentação milionária 

Dados bancários analisados durante as investigações indicaram que a empresa movimentou cerca de R$ 746 milhões em créditos efetivos. Desse total, aproximadamente R$ 301,8 milhões tiveram origem em depósitos em espécie sem identificação, prática apontada pelos investigadores como um dos métodos utilizados para dificultar o rastreamento da origem dos valores.

A investigação também identificou o recebimento de R$ 50 mil pela Transunião dentro das movimentações analisadas. Para o MP, os dados reforçam a suspeita de utilização da estrutura empresarial para circulação de recursos ligados ao crime organizado.

Operação mira dirigentes

A Operação Última Parada cumpriu cinco mandados de prisão temporária e 104 de busca e apreensão em endereços da capital paulista, da região metropolitana e de Extrema (MG). A ação é conduzida pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) e pelo Gaeco, braço do MP especializado no combate ao crime organizado.

Entre os presos estão o vereador de São Paulo Senival Moura (PT), Jair Ramos de Freitas, conhecido como "Cachorrão", apontado como diretor informal da empresa, e Devanil de Souza Nascimento, o "Sapo", motorista e homem de confiança do parlamentar.

Também são alvos da investigação Lourival Monário, o "Orelha", e Leonel Moreira Martins, o "Cabeça Branca", supervisor operacional que, segundo a apuração, seria o responsável por intermediar ordens do PCC dentro da companhia.

Os investigados são suspeitos de envolvimento em organização criminosa, lavagem de dinheiro e fraudes em contratos públicos.

Afastamento da diretoria da Transunião

Como medida para interromper a influência dos investigados na administração da empresa, a Justiça determinou o afastamento imediato de todos os atuais diretores e administradores da Transunião.

A decisão levou em consideração que o serviço prestado pela empresa é essencial para a população. A SPTrans foi comunicada e deverá adotar medidas para garantir a continuidade do transporte, seja por meio de uma intervenção administrativa ou pela redistribuição das linhas operadas pela viação.

De acordo com dados do sindicato das empresas de ônibus da capital, a Transunião atende principalmente a Zona Leste de São Paulo, opera 51 linhas e transporta cerca de 389 mil passageiros diariamente.


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