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COLUNA

O destino de Senival Moura e o primeiro indiciado na CPI do Jockey

O vereador Senival Moura e o irmão, ex-deputado Luiz Moura - Imagem: Reprodução
O vereador Senival Moura e o irmão, ex-deputado Luiz Moura - Imagem: Reprodução
Fábio Behrend

por Fábio Behrend

Publicado em 26/06/2026, às 05h00


Cassação

A vereadora Amanda Vetorazzo publicou vídeo afirmando ter entrado, no início da noite de ontem, com o pedido de cassação de Senival Moura junto à Corregedoria da casa, a cargo do vereador Sargento Nantes. Em nota, a assessoria do corregedor disse não ter recebido nenhum pedido oficial de abertura de processo. Mas vai acontecer...

“Compromisso intransigente”

Horas depois da prisão de Senival Moura, o Partido dos Trabalhadores divulgou nota sobre o episódio. “O Diretório Municipal do PT de São Paulo reitera seu compromisso intransigente com o combate ao crime organizado, apoia ações das forças de segurança, como a Operação Carbono Oculto...” diz o texto, que explica as medidas internas do partido e o processo na Comissão de Ética.

Mas...

...o desenrolar das investigações, e não menos importante, das campanhas de Haddad e Lula, podem ter interferência direta na velocidade em que o caso de Senival será analisado dentro do PT. E no resultado final do processo, claro. Pelo que conversei com algumas fontes, o trabalho da Polícia Civil e do Ministério Público é robusto e “está redondinho”. Novas revelações, que certamente virão nos próximos dias, podem exigir uma ação mais dura da direção do partido, por conta dos prováveis riscos eleitorais.

Memória

O PT tem dois pesos e duas medidas quando se trata de políticos presos sob suspeita de corrupção. E Senival sabe bem disso. O irmão dele, Luiz Moura, era deputado estadual em 2014 quando foi flagrado pela Polícia Civil numa reunião com dezenas de pessoas associadas a cooperativas de transporte (perueiros), que acontecia com a presença de integrantes do PCC. Foi preso em março, suspenso em junho e expulso do partido em agosto, dois meses antes da eleição. Além dele, Delúbio Soares foi preso em 2005 e expulso do partido antes mesmo de ser julgado no escândalo do Mensalão. Delúbio foi readmitido no PT, com pedido de desculpas, 10 anos depois. Luiz Moura filiou-se ao Avante e pretende ser candidato a deputado federal.

E os outros?

Caciques como José Dirceu, José Genoino, João Paulo Cunha (ambos pelo Mensalão) e João Vaccari Neto (Lava Jato), não foram expulsos nem suspensos, mesmo tendo sido presos e condenados.

O primeiro indiciado

O arquiteto Igor Carollo será o primeiro indiciado da CPI do Jockey, mas não o único. Para o presidente da Comissão, independentemente da participação ou conivência de empresas e pessoas envolvidas na troca de e-mails que antecede a prestação de contas fraudulenta das obras de restauro financiadas pelos TDCs, foi Carollo quem tentou fraudar a prestação de contas das obras junto à prefeitura, apresentando documentos de outras obras, financiadas pela Lei Rouanet. “Mas é preciso deixar claro que ele não fez isso sozinho. Tem lá naqueles e-mails uma reunião com muita gente, inclusive da Elysium, gente que sabia de tudo”, afirmou Gilberto Nascimento Jr.

Quem contratou Carollo e a Elysium?

O empresário Wolney Unes, dono da Elysium, empresa responsável pelas obras de restauro, prestou depoimento e afirmou que as negociações para a contratação foram feiras diretamente com o então presidente do Jockey Club, o empresário Benjamin Steinbruch. Em depoimento no final de abril, Igor Carollo disse ter sido contratado pelo atual presidente, Marcelo Arthur Motta Ramos Marques, que teria ligado para ele no dia 23 de dezembro de 2024, com pressa para realizar a prestação de contas. Carollo cobrou 100 mil reais pelo serviço, mas levou um calote. Benjamim e Marcelo serão chamados pela CPI.

Deixa o barulho pra depois

Vai ficar para depois do recesso a votação do projeto de revisão do PSIU em São Paulo. A conversa entre os vereadores da base e alguns integrantes da prefeitura é que a questão é polêmica e apresenta “grande risco de imagem”, por isso precisa ser melhor avaliada. A tendência é que os limites de ruído continuem alinhados com a legislação federal e não será surpresa se o projeto for engavetado, pelo menos até depois da eleição.

Contato: [email protected]


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