O Ministério Público do Trabalho instaurou um inquérito para investigar a empresária do 'agro' por assédio eleitoral

Vitória Tedeschi Publicado em 11/09/2022, às 10h52
A empresária, socialite e latifundiária Roseli Vitória Martelli D'Agostini Lins pediu, em vídeo, para que agricultores "demitam sem dó" funcionários que votarem em Lula (PT) para presidente da República nas eleições de outubro de 2022. A dona de propriedades na Bahia é apoiadora de Jair Bolsonaro (PL), candidato à reeleição.
"Vimos aberrações do 'cara lá' [Lula] no Jornal Nacional e eu queria falar algo para os nossos agricultores: façam um levantamento, quem vai votar no Lula e demitam. Demitam sem dó porque não é uma questão de política, é uma questão de sobrevivência. E você que trabalha com o agro e que defende o Lula, faça o favor, saia também”, afirmou Roseli nas redes sociais.
A empresária também cita a disputa ao governo na Bahia este ano, criticando os eleitores que votarão em ACM Neto (União Brasil). Em meio às duras críticas e à orientação de demissão ela reafirma que o pleito se trata de uma "questão de sobrevivência".
"Vamos atacar gente, não tem outro jeito não. O que que nós vamos fazer? O que que nós queremos do nosso país? Que continue do jeito que está? Eu estou indignada, eu estou indignada. Nós agricultores temos que tomar posição, e não venha me dizer "ah, não, tem que ter direito", não é direito, é questão de sobrevivência”, completou.
A empresária é sócia da Imbuia Agropecuária Ltda., de Luís Eduardo Magalhães, no oeste da Bahia – região tradicional produtora de grãos e algodão. A empresa atua no cultivo de soja, algodão, milho, cana-de-açúcar, feijão, arroz e girassol. Em uma de suas redes sociais, Roseli se diz aposentada, "conservadora" e "entusiasta pelos rumos que o Brasil está trilhando", ao lado de uma foto em apoio aos atos de 7 de setembro.
Após as afirmações, o Ministério Público do Trabalho da Bahia instaurou um inquérito para investigar a empresária por assédio eleitoral.
"O caso foi enquadrado como assédio eleitoral, que é o conjunto de atitudes do empregador no sentido de induzir os trabalhadores a votar ou deixar de votar em um candidato nas eleições. O MPT vem chamando a atenção para a necessidade de que empregadores respeitem os limites legais e não adotem qualquer atitude que possa se caracterizar como constrangimento ou orientação àqueles que trabalhem para eles em relação ao processo eleitoral", diz o ministério em nota.
🚨empresária do agronegócio Roseli Vitória Martelli D Agostini Lins, dona de propriedades na Bahia.@TSEjusbr@LenioStreck@alexandre@MPdaBahia@TRT5Bahia@trt
— Leo Squadra Azzurra® (@LeoSquadra_) September 2, 2022
🚨 DENÚNCIA!!! pic.twitter.com/iNl7jjHRPf
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