Daniel Vorcaro, ex-presidente do BRB, presta esclarecimentos em apuração que envolve a liquidação da instituição financeira

Manoela Cardozo Publicado em 30/12/2025, às 14h16
O empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, desembarcou em Brasília na manhã desta terça-feira, dia 30, para prestar depoimento à Polícia Federal no âmbito das investigações que apuram a situação financeira da instituição. Vorcaro chegou à capital federal em um voo comercial por volta das 11h e seguiu diretamente para o Supremo Tribunal Federal, onde o veículo em que estava entrou pela garagem da Corte.
A partir das 14h, a Polícia Federal iniciou a oitiva de Vorcaro, do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, e do diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino Santos. Os depoimentos fazem parte de uma apuração que busca esclarecer as circunstâncias que levaram à crise do Banco Master e às decisões tomadas pelos órgãos reguladores.
Concluídas as oitivas, caberá à delegada responsável avaliar se há contradições relevantes entre as versões apresentadas. Caso identifique inconsistências, a Polícia Federal poderá determinar a realização de uma acareação entre os envolvidos. Todo o procedimento ocorre sob acompanhamento de um juiz auxiliar do gabinete do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, além de um representante do Ministério Público.
As investigações tiveram início em 2024, no âmbito da Justiça Federal. Segundo a Polícia Federal, há indícios de que o Banco Master não dispunha de recursos suficientes para honrar títulos com vencimento previsto para 2025, o que acendeu o alerta sobre a solvência da instituição.
Vorcaro e Paulo Henrique Costa participaram das negociações para a venda do Banco Master ao BRB, banco público ligado ao governo do Distrito Federal. Antes de ser afastado do comando do BRB, em meio a investigações sobre supostas fraudes bancárias, Costa defendia a aquisição do Master como alternativa para evitar o colapso da instituição privada.
De acordo com investigadores, a oitiva de Ailton de Aquino Santos pode apresentar pontos de divergência em relação às versões dos demais depoentes. Embora não seja investigado, o diretor do Banco Central analisou, por dever funcional, diferentes cenários para enfrentar a crise do Master, que incluíam desde aporte de capital e mudanças na diretoria até a venda do banco e, em último caso, a liquidação.
Segundo a apuração, após a falta de avanço nas alternativas anteriores, a Diretoria de Fiscalização do Banco Central recomendou a liquidação da instituição. A proposta de venda do Banco Master ao BRB acabou sendo vetada pela Diretoria de Organização do Sistema Financeiro do BC. A decisão final coube à diretoria colegiada da autoridade monetária, que aprovou, por unanimidade, a liquidação do banco.
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