Visivelmente revoltado, Bolsonaro negou crimes e disse ter colaborado com transição

Jair Viana Publicado em 26/03/2025, às 16h05
Em pronunciamento público após ser declarado réu pelo STF por tentativa de golpe de Estado, organização criminosa armada e abolição violenta da ordem constitucional, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL-DF) demonstrou irritação e despeito com a decisão judicial. Em tom confrontativo, negou veementemente qualquer participação em ações antidemocráticas e afirmou que as acusações são “uma farsa política”. Bolsonaro aproveitou o discurso para fazer uma retrospectiva de seu governo, destacando políticas econômicas e medidas contra a pandemia, e criticou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva por ter assinado 37 acordos bilaterais com a China. “Enquanto outros se ajoelham a potências estrangeiras, nós priorizamos a soberania nacional”, disse, em referência indireta ao atual governo.
O ex-presidente dedicou parte do discurso a atacar o STF e o presidente Lula, acusando-os de usar o Judiciário para perseguições. “Nunca promovi golpe algum. O que há é um esforço para criminalizar quem defende valores conservadores e patrióticos”, declarou. Bolsonaro também minimizou as evidências apresentadas pela PGR, como mensagens e reuniões com militares, classificando-as como “conversas rotineiras” sobre segurança nacional. A menção aos acordos com a China foi usada para contrastar sua gestão com a de Lula, sugerindo que o atual governo estaria comprometendo interesses brasileiros.
Apesar das negações, a denúncia do STF aponta que Bolsonaro liderou reuniões para discutir a edição de um decreto de intervenção militar, além de articular ataques às urnas eletrônicas. O ex-presidente não detalhou esses pontos, limitando-se a repetir que “não há prova concreta” contra ele. Seus aliados, presentes no evento, aplaudiram as críticas ao governo federal e ao Judiciário, enquanto opositores classificaram o discurso como “revisionista” e desconectado das investigações em curso.
O caso agora segue para a fase de instrução, com previsão de oitivas de testemunhas e análise de novas provas. Especialistas em Direito Constitucional avaliam que o pronunciamento de Bolsonaro pode influenciar a estratégia de defesa, mas dificilmente alterará o andamento processual. Se condenado, o ex-presidente pode enfrentar até 13 anos de prisão. Enquanto isso, a retórica agressiva e as comparações com a gestão Lula reacendem a polarização política, alimentando debates sobre os limites entre crítica institucional e crime contra a democracia.
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