Advogados de Cid buscam gravações de segurança do Palácio da Alvorada para validar suas alegações

Gabriela Thier Publicado em 24/06/2025, às 15h57
No Supremo Tribunal Federal (STF), uma acareação envolvendo o tenente-coronel Mauro Cide o ex-ministro da Defesa, general Braga Netto, trouxe à tona novas revelações sobre o suposto repasse de dinheiro em espécie. Durante a audiência, Cid afirmou ter recebido uma quantia em dinheiro, acondicionada em uma caixa de vinho, como parte de um acordo prévio entre ele e o general.
O evento foi conduzido pelo ministro Alexandre de Moraese contou com a presença do ministro Luiz Fux e do procurador-geral da República, Paulo Gonet. Cid reiterou que a entrega do pacote ocorreu no Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência da República. Ele alegou que o dinheiro foi colocado sob sua mesa na sala onde atuava como ajudante de ordens e posteriormente entregue ao major Rafael de Oliveira, membro do grupo denominado "kids pretos", que está sob investigação por possíveis tentativas de golpe de Estado. No entanto, Cid não conseguiu especificar o local exato da segunda entrega, limitando-se a afirmar que aconteceu nas dependências do Alvorada.
Em resposta às declarações de Cid, a defesa do general Braga Netto desmentiu categoricamente as acusações, qualificando-as como mentiras. O advogado José Luis de Oliveira, conhecido como Juca, comentou que o general havia chamado Cid de mentiroso em duas ocasiões e observou que durante a acareação, Cid se mostrou constrangido e sem capacidade de se defender adequadamente. "Ele não retrucou quando teve a oportunidade de falar", enfatizou Juca.
Em meio à controvérsia, os advogados de Cid planejam solicitar ao STF acesso às gravações das câmeras de segurança e à lista de entrada e saída do Palácio da Alvorada para validar as movimentações no local durante o período indicado por Cid.
Outro ponto crucial debatido na acareação foi uma reunião realizada no final de 2022 na residência do general Braga Netto. Enquanto Cid sustentou que deixou o encontro antes de sua conclusão, o general afirmou que ele e dois militares das Forças Especiais saíram juntos do apartamento. Investigações da Polícia Federal indicam que esse encontro pode ter sido o precursor de um plano para impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), definindo também a necessidade de levantamento financeiro que teria sido posteriormente direcionado a Cid.
A sessão terminou pouco após meio-dia, após quase duas horas de deliberações. As acareações foram solicitadas pelas defesas do ex-ministro Braga Netto e do ex-ministro Anderson Torres, que deve ser confrontado em breve com o ex-comandante do Exército Marco Antônio Freire Gomes. Importante notar que as audiências não estão sendo gravadas.
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