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Contrato em suspense

Clube amador aguarda decisão da Justiça após ordem de prisão do goleiro Bruno

Menezes Esporte Clube afirma que mantém contrato com o ex-jogador e espera desdobramentos judiciais para definir situação

Imagem: Reprodução/Arquivo do Menezes Esporte Clube
Imagem: Reprodução/Arquivo do Menezes Esporte Clube

Letícia Sales Publicado em 07/03/2026, às 11h56


O Menezes Esporte Clube, equipe amadora de Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, informou que aguarda os desdobramentos da Justiça após a determinação de prisão do goleiro Bruno Fernandes por descumprimento do livramento condicional.

A decisão foi tomada pela Vara de Execuções Penais do Rio de Janeiro, que revogou o benefício concedido ao ex-jogador após ele viajar para o Acre sem autorização judicial, contrariando uma das condições impostas pela Justiça, que proibia a saída do estado.

Hoje com 41 anos, Bruno foi condenado a mais de 22 anos de prisão pelo assassinato da modelo Eliza Samudio. O crime também envolveu acusações de ocultação de cadáver, sequestro e cárcere privado.

Segundo o clube mineiro, o contrato com o atleta foi assinado em 28 de fevereiro deste ano. A diretoria afirma que, até o momento, não tomou nenhuma decisão adicional e acompanha o caso apenas pelas informações divulgadas publicamente.

De acordo com o Menezes Esporte Clube, Bruno ainda não chegou a atuar pela equipe. O campeonato disputado pelo time está previsto para começar apenas em 24 de maio. O clube informou também que o goleiro vinha realizando treinamentos na cidade de Cabo Frio, onde reside atualmente.

A diretoria destacou que, por se tratar de uma equipe amadora, não possui estrutura para oferecer alojamento ou centro de treinamento aos atletas. Segundo o clube, os jogadores normalmente se encontram apenas nos dias das partidas, disputadas aos domingos.

O diretor esportivo da equipe, Bruno Ferreira, afirmou que a instituição aguarda a definição da Justiça antes de qualquer decisão sobre o futuro do contrato.

O clube não tem nada a fazer nesse momento. Fizemos um contrato de trabalho e confiamos que ele será cumprido. Não temos outra posição que não seja aguardar os desdobramentos. A partir do momento que o cidadão esteja apto perante a justiça e se enquadre dentro dos nossos requisitos, iremos abrir as portas. é preciso ampliar o debate sobre a ressocialização e as oportunidades de trabalho para condenados após o cumprimento da pena”, explicou.

A Justiça do Rio de Janeiro determinou que o goleiro volte a cumprir pena em regime semiaberto. Bruno havia obtido o livramento condicional em janeiro de 2023, etapa considerada final antes da extinção da pena.

Em nota, a Liga Desportiva de Ribeirão das Neves afirmou que não pode impedir uma eventual inscrição do jogador nas competições organizadas pela entidade, desde que ele esteja regularizado para atuar.

O presidente da liga, José Márcio da Cruz, explicou que a entidade apenas segue as normas esportivas vigentes. Segundo ele, como o atleta foi liberado para atuar pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF), a liga deve cumprir o estatuto e o Código Brasileiro de Justiça Desportiva.

O dirigente acrescentou que a responsabilidade por impedir ou permitir a atuação do jogador cabe à Justiça comum ou criminal.

A defesa de Bruno informou que irá recorrer da decisão judicial. Em nota assinada pelo escritório Migliorini & Miranda Advogados, os advogados explicaram a situação do ex-jogador.

“Quanto à situação do ex-goleiro Bruno, a defesa esclarece que houve a revogação do livramento condicional, razão pela qual foi determinado o seu retorno ao regime semiaberto. Ressalte-se que ele atualmente reside em Cabo Frio, embora a execução esteja tramitando no Rio de Janeiro. Assim, a guia de execução deverá ser encaminhada para Cabo Frio/RJ, onde o regime semiaberto é cumprido na modalidade domiciliar. Por fim, registra-se que a defesa irá interpor o recurso cabível contra a decisão”.

Enquanto o recurso não é analisado, o futuro do goleiro no futebol amador segue indefinido.


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