Mercado reage com desconfiança à fala de Lula sobre equilíbrio fiscal

Marina Roveda Publicado em 30/10/2023, às 08h12
A declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o Brasil possivelmente não alcançar o equilíbrio nas contas públicas em 2024 gerou reações negativas tanto de políticos quanto do mercado financeiro. Durante uma conversa com jornalistas em seu aniversário, Lula questionou o significado de um déficit de 0,5% ou 0,25%, enfatizando que, em sua opinião, não representaria um problema significativo.
Embora o arcabouço fiscal tenha uma margem de tolerância de 0,25 ponto percentual do Produto Interno Bruto (PIB) para saldo positivo ou negativo, a declaração do presidente gerou desconfiança no mercado em relação ao compromisso com a pauta econômica.
Atualmente, o Ibovespa, o principal índice da Bolsa brasileira, registrou uma queda de 1,31%, enquanto o dólar teve uma alta de 0,46%, ultrapassando a marca dos R$ 5,00.
Políticos também expressaram preocupações com a declaração. O relator da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), Danilo Forte (União-CE), destacou que a fala de Lula foi desanimadora para a pauta econômica, que já enfrenta resistência no Legislativo. Ele explicou que o atraso na votação da LDO ocorreu para dar tempo ao governo federal de convencer o Congresso sobre as propostas da equipe econômica.
Lula afirmou que fará o possível para cumprir a meta fiscal, mas acredita que não é necessário que a meta seja zero, argumentando que o país não deve ser forçado a cortar bilhões em projetos prioritários no início do ano. Ele também mencionou que o mercado muitas vezes é ganancioso e cobra metas que sabe que não serão cumpridas.
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