Atividade em águas profundas divide opiniões entre especialistas e ambientalistas; exploração é estratégica para a soberania energética do país

por Marina Milani
Publicado em 22/10/2025, às 18h15
O Ibama concedeu na segunda-feira (20) à Petrobras autorização para perfuração de um poço exploratório na região da Foz do Amazonas, localizada na Margem Equatorial, que se estende do Amapá ao Rio Grande do Norte. A licença é exclusiva para pesquisa e não autoriza produção de petróleo.
Segundo o Ministério de Minas e Energia, a Margem Equatorial representa o “futuro da soberania energética” do Brasil. O ministro Alexandre Silveira destacou que a área pode receber mais de R$ 300 bilhões em investimentos e gerar até R$ 1 trilhão em arrecadação ao longo das próximas décadas, com impactos positivos em saúde e educação.
A perfuração ocorrerá no bloco FZA-M-059, a cerca de 175 km da costa do Amapá e 500 km da foz do Rio Amazonas. A Petrobras utilizará a sonda NS-42, capaz de perfurar até 12,1 mil metros, incluindo profundidades submarinas e camadas rochosas profundas. O custo do navio é de R$ 4 milhões por dia de aluguel, e sua tecnologia é similar à usada no pré-sal.
A pesquisa tem duração prevista de cinco meses, durante os quais serão coletados dados geológicos para confirmar a presença de petróleo e gás em escala comercial. Caso os recursos sejam encontrados, serão necessárias novas licenças ambientais para iniciar a produção.
A Bacia da Foz do Amazonas abrange cerca de 268 mil km² e é considerada estratégica por sua semelhança geológica com as bacias de Guiana e Suriname, que registraram crescimento exponencial de produção nos últimos anos. Estimativas apontam que a região poderia fornecer 1,1 milhão de barris por dia, mais que os principais campos da Bacia de Santos.
Apesar do potencial econômico, a autorização gerou críticas de ambientalistas. O Observatório do Clima classificou a medida como uma “dupla sabotagem” ao planeta e à COP30. O climatologista Carlos Nobre alertou que a Amazônia se aproxima de um ponto crítico e que não há justificativa para nova exploração de petróleo na região.
O processo de licenciamento do bloco 59 começou em 2014 e se estendeu por mais de uma década, incluindo testes de emergência e simulações de segurança supervisionadas pelo Ibama. A Petrobras reforçou que a estrutura usada para perfuração é robusta e atende a rigorosos padrões de proteção ambiental.
Para que a exploração seja iniciada em larga escala, ainda serão necessários três passos:
No mercado financeiro, a reação foi moderada. As ações da Petrobras registraram leve queda, reflexo da expectativa já precificada pelos investidores e da queda recente do preço internacional do petróleo.
Especialistas ressaltam que, embora a pesquisa seja estratégica para o futuro energético do país, o equilíbrio entre desenvolvimento econômico e proteção ambiental será crucial para definir os próximos capítulos da exploração na Margem Equatorial.

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