O homem já foi detido duas vezes e, nesse meio tempo, teve uma bebê

Juliane Moreti Publicado em 16/01/2023, às 17h28
Um pai de família, que mora no Irã, fez um último pedido antes de ser executado pelo regime do país. Identificado como Hassan Firouzi, de 34 anos, tinha se tornado pai recentemente e, ao mesmo tempo, estava prestes a ser enforcado pelo governo.
Hassan foi preso em outubro na sua cidade natal, chamada Shahr-e, por ter participado de manifestações na rua em Teerã em protestos que estavam generalizados no país. Por ser atuante, foi descoberto e detido pela polícia de segurança.
Apesar de ter sido liberto da primeira prisão, ele foi pego novamente em novembro e levado para a detenção de Evin. Dessa vez, preso por liderar as manifestações, fazer propaganda contra o estado e perturbar a segurança pública, como relata o portal The Mirror.
Nesse meio tempo, sua esposa estava grávida. Na segunda vez que Hassan foi levado pelos guardas, sua filha, recém-nascida, Hannaneh, tinha apenas 18 dias de vida. Ele era um homem que estava vivendo os sonho de ser pai. Mas, não pôde estar mais perto da filha.
No país, as leis são mais rígidas. Hassan então, em regime solitário, sofreu muito: foi agredido, espancado, teve uma hemorragia interna e ganhou diversos hematomas no corpo e no rosto pelos crimes que foi acusado.
Depois de torturado, ele confessou que era um dos líderes de protestos antigovernamentais, segundo o portal, por pressão. Sua esposa, identificada como Masoumeh, também foi presa por estar buscando informações dele, no dia 5 de janeiro.
Depois que um tribunal avaliou o caso de Hassan, ele saiu da custódia e agora está condenado no 'corredor da morte'. Provavelmente, Hassan perderá a vida (como se fosse uma pena de morte) pelas acusações confessadas.
Em uma ligação para seus apoiadores, feita na prisão, ele implorou que fizessem o possível para que ele pudesse ver a sua filha pela última vez, já que estava ciente de que a qualquer momento poderia morrer.
''Eu só tenho um pedido do povo iraniano. Faça algo para me ajudar a ver minha filha mais uma vez. Quer que eu assine ou não os papéis da confissão, eles vão me matar. Meu único desejo é ver minha filha uma última vez. Depois de 10 anos, Deus finalmente nos deu um filho. Só pude vê-la por 18 dias'', disse Hassan.
Segundo o portal, os protestos tomaram conta das ruas no país depois que uma mulher foi assassinada brutalmente publicamente por policiais por usar o hijab ''indevidamente''. A população, sabendo do acontecimento, se revoltou contra o estado.
Desde então, diversas pessoas foram presas, sofreram pena de morte, agressões ou sentenças de execução por estarem lutando contra um governo rígido e violento. Para alguns, a situação do recente pai de família é comovente.
Por isso, uma petição online para salvá-lo reuniu mais de 200 mil assinaturas. Na descrição, está escrito: ''estamos extremamente preocupados que a vida de Hassan Firouzi esteja em perigo extremo e que ele possa ser executado a qualquer momento''.

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