Em ato político no Ceará, senador e pré-candidato à Presidência disse que a Polícia Federal atua de forma seletiva contra adversários do governo e citou investigações envolvendo pessoas próximas ao presidente Lula.

Ana Beatriz Silva Publicado em 11/07/2026, às 22h12
O senador Flávio Bolsonaro acusou o governo Lula de usar a Polícia Federal para perseguir opositores e interferir nas eleições de 2026, durante um evento em Fortaleza. Essa declaração ocorre em um contexto de investigações que envolvem familiares do presidente, levantando preocupações sobre a imparcialidade das apurações.
Flávio mencionou casos específicos, como investigações sobre Frei Chico e Lulinha, e criticou a mudança na condução das investigações da PF, que passou a ser supervisionada por um setor diferente, o que gerou desconfiança entre parlamentares da oposição. A troca de delegados foi questionada por outros senadores, como Sergio Moro, que alegaram falta de transparência.
Além das críticas em Fortaleza, Flávio Bolsonaro também se manifestou nas redes sociais sobre a decisão do ministro Flávio Dino de bloquear bens do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, em um caso de emendas parlamentares. O evento teve um caráter político importante para o PL, buscando unir a base bolsonarista em meio a divergências internas e preparando o terreno para as eleições de 2026.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, acusou o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de usar a Polícia Federal para perseguir políticos da oposição e tentar interferir no processo eleitoral de 2026. A declaração foi feita nesta sexta-feira, 10 de julho, em Fortaleza, durante o evento de lançamento da pré-candidatura do deputado estadual Alcides Fernandes (PL-CE) ao Senado pelo Ceará.
No discurso, Flávio afirmou que a PF estaria atuando de forma seletiva contra parlamentares e dirigentes de partidos de direita. O senador associou a crítica a investigações que envolvem nomes próximos ao presidente Lula e disse que haveria diferença de tratamento entre casos ligados ao governo e apurações relacionadas à oposição. As declarações foram feitas em um ato que reuniu lideranças do PL no bairro Maraponga, em Fortaleza.
Flávio citou José Ferreira da Silva, conhecido como Frei Chico, irmão do presidente Lula e vice-presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos, entidade investigada no caso de descontos irregulares em benefícios do INSS. O senador também mencionou Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente. Segundo o Metrópoles, Flávio afirmou que a troca na condução de investigações da PF teria ocorrido enquanto apurações envolvendo o filho de Lula avançavam.
A fala ocorre em meio à repercussão sobre mudanças internas na Polícia Federal relacionadas às investigações de fraudes em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social. O caso saiu da Divisão de Repressão a Crimes Previdenciários e passou para a Coordenação de Inquéritos em Tribunais Superiores, setor responsável por inquéritos que tramitam nas cortes superiores. A CNN Brasil informou que uma nova fase da operação contra fraudes no INSS ocorreu após essa mudança de área, com o caso sob relatoria do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal.
A substituição de delegados no caso já havia sido alvo de críticas de parlamentares da oposição. Em maio, o senador Sergio Moro (PL-PR) questionou a troca no plenário do Senado e afirmou que o delegado substituído conduzia diligências que abrangiam suspeitas relacionadas ao filho do presidente Lula. Na ocasião, Moro disse que a mudança teria ocorrido sem justificativa pública e sem comunicação prévia ao ministro André Mendonça, relator do caso no STF.
Além do discurso em Fortaleza, Flávio Bolsonaro voltou a fazer críticas pelas redes sociais ao comentar a decisão do ministro Flávio Dino, do STF, que determinou o bloqueio de até R$ 119,2 milhões em bens do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto. Dino também suspendeu a execução de despesas ligadas a 21 emendas parlamentares investigadas e determinou que a Câmara dos Deputados envie documentos sobre a tramitação interna desses recursos.
A decisão contra Valdemar foi tomada no âmbito da Petição 16.289, desdobramento de investigação sobre suspeitas de direcionamento irregular de emendas parlamentares. Segundo informações divulgadas por Migalhas, a Polícia Federal apontou indícios de que Valdemar teria influenciado o destino de emendas mesmo sem exercer mandato parlamentar. A apuração, ainda em andamento, investiga possíveis crimes de peculato-desvio e associação criminosa.
Valdemar Costa Neto negou ter o valor bloqueado e disse, em entrevista à CNN Brasil repercutida pelo UOL, que os R$ 119 milhões correspondem ao total das emendas investigadas. O dirigente afirmou que apenas fazia sugestões sobre a destinação de recursos a municípios e negou irregularidades. A defesa e aliados do presidente do PL tratam o caso como criminalização da atividade política.
O evento no Ceará também teve peso político dentro do próprio PL. Alcides Fernandes é pai do deputado federal André Fernandes, presidente estadual do partido no Ceará, e sua pré-candidatura ao Senado foi alvo de divergências internas. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro defendia outro nome para uma das vagas ao Senado pelo estado e também se posicionou contra a aliança do PL com Ciro Gomes (PSDB) na disputa pelo governo cearense.
A passagem de Flávio por Fortaleza ocorreu em meio a uma tentativa de demonstrar unidade no campo bolsonarista após atritos públicos envolvendo Michelle Bolsonaro, lideranças locais do PL e os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro. No dia seguinte ao evento, Jair Bolsonaro divulgou uma carta lida por Flávio em que o chamou de porta-voz e candidato escolhido para representá-lo politicamente nas eleições de 2026.
A disputa presidencial terá o primeiro turno em 4 de outubro de 2026, segundo o calendário eleitoral divulgado pela Justiça Eleitoral. Um eventual segundo turno está previsto para 25 de outubro. Nesse cenário, as declarações de Flávio ampliam a temperatura da pré-campanha e reforçam uma linha de ataque da oposição contra o governo Lula, centrada em acusações de uso político das instituições de investigação.
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