Caso envolve pai, avó e madrasta, que foram presos e são investigados por tortura; criança não frequentava a escola desde 2024

Redação Publicado em 19/05/2026, às 21h41
O laudo necroscópico concluiu que Kratos Douglas, de 11 anos, morreu em decorrência de desnutrição severa associada a maus-tratos prolongados. O menino foi encontrado sem vida na última segunda-feira (11), dentro da residência onde vivia com a família, na Zona Leste de São Paulo, com sinais de ter sido acorrentado.
Três familiares foram presos e indiciados por tortura seguida de morte: o pai, Chris Douglas, de 52 anos, a avó paterna, Aparecida Gonçalves, de 81, e a madrasta, Camilla Barbosa Dantas Felix, de 42. De acordo com a Polícia Civil, há indícios de que o menino vinha sendo mantido em condições de violência e restrição de liberdade há pelo menos um ano.
Segundo a apuração, Kratos não frequentava a escola desde 2024 e não estava matriculado no período mais recente.
Versões inconsistentes
Em depoimento, o pai afirmou que acorrentava o filho para evitar que ele deixasse a casa, mas negou agressões físicas. A investigação, no entanto, aponta que o garoto apresentava lesões compatíveis com episódios de violência, além de quadro de desnutrição avançada.
A avó e a madrasta disseram à polícia que tinham conhecimento de que a criança era mantida acorrentada, mas negaram participação nas agressões. Ambas afirmaram que se limitavam a fornecer alimentação ao menino. As duas tiveram a prisão preventiva decretada pela Justiça, assim como o pai, que já havia sido detido em flagrante no dia da ocorrência.
A mãe da criança, que vive no interior do estado, deve prestar depoimento como testemunha e, até o momento, não é alvo da investigação.
Relembre
O caso veio à tona após a família acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e o Corpo de Bombeiros, alegando que a criança passava mal. Quando as equipes chegaram ao imóvel, o menino já estava morto. O corpo foi encontrado no chão de um dos cômodos da casa e apresentava marcas nos braços, mãos e pernas. A Polícia Militar foi acionada e prendeu o pai no local.
Durante a vistoria, os agentes localizaram câmeras de monitoramento instaladas no interior da residência. Os equipamentos foram apreendidos e serão analisados para verificar se havia gravação das agressões. Uma corrente também foi recolhida e encaminhada para perícia.
Os suspeitos podem responder por tortura com resultado morte, crime cuja pena pode chegar a 16 anos de prisão.
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