Vizinhos afirmam que nem sabiam da existência do menino de 11 anos encontrado morto dentro de casa no Itaim Paulista

Letícia Sales Publicado em 13/05/2026, às 08h39
A Justiça de São Paulo decretou, nesta terça-feira (12), a prisão preventiva de Chris Douglas, de 52 anos, investigado pela morte do filho, Kratos Douglas, de 11 anos, encontrado acorrentado dentro da própria casa no Itaim Paulista, na Zona Leste da capital.
O corpo da criança foi localizado na segunda-feira (11), preso por uma corrente ao pé da cama. Segundo a polícia, o próprio pai acionou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), mas, ao chegarem ao imóvel, os socorristas constataram que o menino já estava morto.
De acordo com o boletim de ocorrência registrado no 50º Distrito Policial, os profissionais do Samu identificaram diversos sinais de maus-tratos no corpo da vítima. Uma médica apontou “hematomas nos braços, mãos e pernas, roxeamento nas extremidades e espuma na boca”.
Em depoimento à polícia, Chris Douglas confessou que mantinha o filho acorrentado dentro da residência. Segundo ele, a medida era adotada para impedir que o menino fugisse de casa.
A madrasta e a avó paterna também confirmaram às autoridades que sabiam da situação. Conforme os relatos, a criança já apresentava ferimentos nas pernas e sinais de debilidade física antes da morte.
A Polícia Civil apreendeu a corrente usada para prender o garoto, além de equipamentos eletrônicos encontrados na residência. O imóvel possuía câmeras de segurança, que agora serão analisadas pela perícia para auxiliar na investigação.
O caso causou choque entre moradores da rua, que afirmaram nunca ter visto a criança circulando pela vizinhança. Segundo relatos, o pai dizia ter apenas dois filhos e jamais mencionava o menino mais velho.
Vizinhos também contaram que nunca ouviram pedidos de socorro ou barulhos suspeitos vindos da casa. O que chamava atenção, segundo eles, era a grande quantidade de caixas de papelão espalhadas pelo imóvel e um colchão colocado entre a passagem de cômodos.
Diante das evidências, a polícia pediu a conversão da prisão em flagrante para preventiva por tortura qualificada pelo resultado morte. No pedido encaminhado à Justiça, os investigadores destacaram a “submissão de criança a intenso sofrimento físico e mental”.
A defesa de Chris Douglas não havia sido localizada até a última atualização do caso.
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