Diário de São Paulo
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Trump inicia novos ataques no sul do Irã após encerrar cessar-fogo

Bombardeios americanos atingiram alvos militares iranianos após acusações de ataques contra petroleiros no Estreito de Ormuz. Teerã reagiu com mísseis e drones contra instalações dos EUA no Golfo Pérsico, elevando o temor de uma nova fase da guerra no Oriente Médio.

Explosões foram registradas em áreas estratégicas no sul do Irã após uma nova ofensiva dos Estados Unidos - Imagem: Reprodução
Explosões foram registradas em áreas estratégicas no sul do Irã após uma nova ofensiva dos Estados Unidos - Imagem: Reprodução

Ana Beatriz Silva Publicado em 08/07/2026, às 18h26


O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou o fim do cessar-fogo com o Irã após uma nova onda de ataques entre os países, intensificando a crise no Golfo Pérsico e impactando o mercado de petróleo.

Os EUA realizaram bombardeios contra alvos iranianos em resposta a ataques a embarcações no Estreito de Ormuz, enquanto o Irã retaliou com mísseis e drones contra instalações americanas na região.

A escalada de hostilidades ameaça a estabilidade do acordo de trégua estabelecido em junho e gera preocupações sobre a segurança do transporte de petróleo, com potenciais repercussões econômicas globais.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta quarta-feira, 8 de julho, que o cessar-fogo com o Irã “acabou”, após a retomada de ataques entre os dois países e uma nova rodada de bombardeios americanos contra alvos iranianos. A fala ocorreu durante a cúpula da Otan em Ancara, na Turquia, e marcou uma forte escalada em uma crise que já vinha pressionando a segurança no Golfo Pérsico e o mercado internacional de petróleo.

A nova ofensiva dos Estados Unidos foi anunciada depois de Washington acusar o Irã de atacar três embarcações comerciais que passavam pelo Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais sensíveis do planeta. Segundo o Comando Central dos Estados Unidos, a operação teve como objetivo reduzir a capacidade iraniana de ameaçar a navegação na região. As Forças Armadas americanas afirmam ter atingido mais de 80 alvos, incluindo sistemas de defesa, estruturas de comando, radares costeiros, equipamentos militares e embarcações ligadas à Guarda Revolucionária.

A imprensa iraniana relatou uma série de explosões em áreas estratégicas no sul do país. Entre os locais citados estão Sirik e Bandar Abbas, cidades portuárias próximas ao Estreito de Ormuz, além da ilha de Qeshm e da região de Bushehr. Até o momento, não há confirmação independente sobre a extensão dos danos nem balanço consolidado de vítimas.

Em resposta aos bombardeios, a Guarda Revolucionária do Irã afirmou ter lançado mísseis e drones contra instalações militares americanas no Bahrein e no Kuwait. Segundo Teerã, foram atingidos alvos ligados à presença dos Estados Unidos no Golfo Pérsico. Autoridades iranianas também afirmaram ter derrubado um drone americano MQ-9 Reaper, informação ainda não confirmada de forma independente por Washington.

A troca de ataques coloca em risco o acordo de cessar-fogo que havia reduzido temporariamente as tensões nas últimas semanas. A trégua foi firmada em junho, após uma sequência de confrontos envolvendo Estados Unidos, Irã e Israel. Agora, os dois lados se acusam mutuamente de violar os termos do entendimento. Para Washington, os ataques contra petroleiros romperam o acordo. Para Teerã, os bombardeios americanos e a revogação da autorização temporária para venda de petróleo iraniano tornaram a trégua sem efeito.

O impacto da crise vai além do campo militar. O Estreito de Ormuz é considerado uma das passagens mais importantes do mundo para o transporte de petróleo e gás. A rota liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Oceano Índico. Qualquer interrupção prolongada na região pode pressionar o preço dos combustíveis, afetar cadeias globais de abastecimento e ampliar a instabilidade econômica em países dependentes da importação de energia.

A reação internacional foi imediata. Aliados dos Estados Unidos na Otan demonstraram apoio à resposta militar americana, enquanto autoridades europeias alertaram que a escalada dificulta qualquer tentativa de normalização no Oriente Médio. No Irã, o tom oficial é de confronto. O governo iraniano acusa os Estados Unidos de agressão e afirma que responderá a novos ataques.

A crise ocorre em um momento de alta sensibilidade geopolítica. O conflito no Oriente Médio já envolve interesses militares, energéticos e diplomáticos de potências globais. O risco, agora, é que os ataques cruzados transformem uma trégua frágil em uma nova fase de guerra aberta, com efeitos diretos sobre o preço do petróleo, a segurança marítima e a estabilidade regional.


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