A mulher de 73 anos estava desaparecida há 44 e voltou ao convívio da família

Nathalia Jesus Publicado em 10/02/2023, às 10h47
Dada como desaparecida desde 1979, uma idosa de 73 anos que não teve o nome revelado foi encontrada pela polícia vivendo em um hotel na cidade de Garibaldi, na Serra do Rio Grande do Sul, no dia 31 de janeiro.
De acordo com o delegado Marcelo Ferrugem, a mulher era conhecida na cidade, mas por um nome diferente do qual havia sido registrada pelos pais. A idosa foi encontrada depois que a Polícia Civvil recebeu denúncias de que ela estava no local.
O registro do desaparecimento só foi registrado em 2021, por uma sobrinha que inscreveu o nome da idosa em uma campanha de identificação de desaparecidos.
Segundo informações do G1, a polícia investigou que a idosa se afastou da família por conta de conflitos internos e nunca mais foi vista.
"A senhora teria se afastado da família em 1979, por alguma desavença, algo que não está bem esclarecido. Desde então, a família não soube mais dela", contou o delegado.
No entanto, a polícia investiga a condição de maus-tratos. A possibilidade do cárcere privado já foi descartada pelos investigadores, uma vez que os funcionários do hotel garantiram que a mulher tinha livre trânsito e acesso a comida.
Funcionários do local afirmaram que a idosa trabalhou no hotel na década de 1990. Em depoimento, a idosa informou que foi contratada pelo estabelecimento em 1999, mas foi demitida em 2000 e, desde então, segue trabalhando na manutenção do local, mas sem vínculo empregatício.
A idosa estaria recebendo um valor entre R$ 25 e R$ 50 por semana, sem direito a folgas nos finais de semana. Com base nessas informações, o Ministério do Trabalho apura se ela estaria vivendo em condições semelhantes à de escravizada.
Os agentes apuraram que a idosa vivia em um quarto afastado da área de hóspedes do hotel, que não tinha banheiro e nem iluminação natural.
"As condições de higiene no local eram precárias, roupas de cama e colchão muito sujos. Ela fazia as necessidades em um balde".

Entre o momento da abordagem policial e a vistoria do MTE, agentes observaram que alguns móveis foram reparados e trocados de lugar. Na primeira abordagem, não havia iluminação no local, os móveis do quarto estavam quebrados e não havia pia no banheiro. No momento da vistoria, tinham lâmpadas instaladas, móveis que foram reparados e uma pia.

O acessor jurídico do hotel informou que a mulher "tinha uma vida normal, andava onde queria; tinha o seu quarto, não era cinco estrelas, evidentemente; não tinha banheiro no quarto, não era uma suíte, mas o banheiro dela ficava a 20 passos mais ou menos do quarto dela, em área coberta, não tinha problema nenhum".
Além disso, a administração do hotel nega que a idosa tenha permanecido como funcionária das instalações e afirma que ela era entendida como um membro da família.
"O tempo foi passando, foi passando, e não tinha o que fazer com essa senhora. Vamos jogar na rua? O que fazer? Não tinha uma solução".
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