Registros antigos, decisão judicial e relatos de assédio funcional ampliam questionamentos sobre conduta de tenente-coronel em caso investigado como morte suspeita

Letícia Sales Publicado em 17/03/2026, às 09h43
Um conjunto de registros oficiais e decisões judiciais revela um histórico de conflitos e acusações envolvendo o tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto, atualmente no centro de uma investigação sobre a morte da própria esposa, a soldada Gisele Alves Santana, em São Paulo.
Documentos apontam que, ainda em 2010, uma ex-companheira do oficial procurou a Polícia Civil, em Taubaté, para relatar problemas recorrentes no convívio familiar. À época, ela registrou boletim de ocorrência alegando perturbação e descumprimento de acordos relacionados à visitação da filha do casal. Segundo o relato, o então policial realizava ligações insistentes em diferentes horários, o que levou a vítima a trocar de número telefônico diversas vezes. A mulher também informou ter buscado medidas judiciais para garantir distanciamento.
Anos depois, já em 2022, a conduta do oficial voltou a ser questionada, desta vez no âmbito profissional. Uma decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo reconheceu que ele cometeu abuso de autoridade contra uma policial militar subordinada. O caso envolveu acusações de perseguição, exposição pública e decisões hierárquicas que, segundo a sentença, afetaram a dignidade e o ambiente de trabalho da vítima.
A Justiça considerou que houve repetição de condutas abusivas, caracterizando assédio moral dentro da estrutura da corporação. Como resultado, o Estado foi condenado a indenizar a policial por danos morais. O entendimento foi mantido mesmo após recurso, reforçando a gravidade dos fatos apurados.
Entre os episódios analisados, estão transferências consideradas punitivas, críticas reiteradas e acusações administrativas que teriam contribuído para um ambiente de pressão funcional. A decisão também destacou o uso da posição de comando para constranger a subordinada, ultrapassando os limites da disciplina militar.
O histórico ganha ainda mais relevância diante do caso recente envolvendo a morte da soldado Gisele Alves Santana, atual esposa do oficial. Ela foi encontrada com um tiro na cabeça dentro do apartamento do casal, na região central da capital paulista, em fevereiro deste ano. Apesar da versão inicial apontar para suicídio, o caso é investigado como morte suspeita.
A soma de episódios — que inclui conflitos pessoais, denúncias antigas e condenação por abuso de autoridade — levanta questionamentos sobre o comportamento do oficial ao longo dos anos e amplia a pressão por uma apuração rigorosa das circunstâncias da morte da policial.
As investigações seguem em andamento.
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