Diário de São Paulo
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DEPOIMENTO

Ex-marido quebra silêncio e diz que policial jamais se mataria

O depoimento do ex-marido da policial militar Gisele Alves Santana trouxe novos elementos à investigação sobre a morte da soldado, encontrada sem vida em fevereiro em São Paulo

O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto e a PM Gisele Alves Santana - Imagem: Reprodução / Redes Sociais
O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto e a PM Gisele Alves Santana - Imagem: Reprodução / Redes Sociais

William Oliveira Publicado em 14/03/2026, às 08h19


O ex-marido da policial militar Gisele Alves Santana prestou depoimento à Polícia Civil de São Paulo na tarde de sexta-feira (13). Segundo o advogado José Miguel da Silva Júnior, que representa a família da soldado, o homem afirmou que Gisele “jamais pensaria em cometer suicídio”.

De acordo com o advogado, o ex-companheiro mantinha uma relação de amizade com Gisele, mas os dois teriam se afastado após o casamento dela com o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, que, segundo o relato, demonstrava ciúmes da relação entre eles. O nome do ex-marido não foi divulgado por questões de segurança.

Durante o depoimento, ele também afirmou que a policial tinha forte vínculo com a filha e não demonstrava sinais de comportamento suicida. Ainda segundo o advogado, a criança estaria assustada e não queria mais manter contato com o padrasto, relatando desconforto com a conduta dele em relação à mãe.

Investigação

A Polícia Militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, morreu após ser baleada na cabeça no bairro do Brás - Imagem: Reprodução / Redes Sociais
A Polícia Militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, morreu após ser baleada na cabeça no bairro do Brás - Imagem: Reprodução / Arquivo Pessoal

Gisele Alves Santana, de 32 anos, foi encontrada morta em 18 de fevereiro no apartamento onde morava com o marido, no bairro do Brás, região central de São Paulo. Foi o próprio tenente-coronel quem acionou a polícia e afirmou que a esposa teria tirado a própria vida após uma discussão.

Segundo o relato inicial dele, após pedir a separação durante a discussão, teria ido tomar banho. Pouco depois, Gisele teria pegado a arma e disparado contra a própria cabeça.

A família da policial, no entanto, contestou a versão e denunciou que ela vivia um relacionamento considerado tóxico. Diante das dúvidas levantadas, o caso — inicialmente registrado como suicídio — passou a ser investigado como morte suspeita.

Laudos periciais reforçaram as inconsistências na versão inicial. O exame necroscópico apontou que a causa da morte foi traumatismo provocado por disparo encostado no lado direito da cabeça. Também foram identificadas lesões no rosto e no pescoço da vítima, com marcas compatíveis com pressão digital e arranhões.

O laudo residuográfico não detectou vestígios de pólvora nas mãos da policial nem nas do coronel. Além disso, a trajetória do disparo foi identificada de baixo para cima — um elemento que também levanta questionamentos na investigação.

Peritos também relataram marcas de sangue no banheiro do apartamento, embora o corpo de Gisele tenha sido encontrado em outro cômodo. Outro ponto investigado é o fato de o coronel ter afirmado que estava no banho quando o disparo ocorreu, mas ter sido encontrado com o corpo seco quando as autoridades chegaram.

Diante das suspeitas, a Justiça de São Paulo determinou que o caso fosse redistribuído para a Vara do Júri, por entender que há indícios de crime doloso contra a vida, hipótese que inclui feminicídio.

A investigação da Polícia Civil segue em andamento e ainda aguarda a conclusão de exames toxicológicos e do laudo pericial completo do local da morte. Paralelamente, a Polícia Militar de São Paulo instaurou um Inquérito Policial Militar para apurar denúncias de que o casal vivia uma relação marcada por ameaças e conflitos.

A defesa da família afirma que a hipótese mais provável é a de feminicídio e cobra maior celeridade nas investigações.


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