O caso ganhou notoriedade e repercussão em 2018, o julgamento terminou nesta quarta-feira (19)

Nathalia Jesus Publicado em 20/04/2023, às 10h31
Georgeval Alves Gonçalves, ex-pastor, foi condenado a 146 anos de prisão por estuprar, torturar e matar o filho e o enteado, os irmãos Kauã e Joaquim, em Linhares, norte do Espírito Santo, em 2018.
O julgamento do caso começou na terça-feira (18) e terminou nesta quarta (19) após ter sido adiado no início do mês. A morte das duas crianças completa 5 anos na próxima sexta-feira (21).
Georgeval foi julgado sob acusações de duplo homicídio qualificado, duplo estupro de vulnerável e tortura. Confira as condenações por cada um dos crimes:
A sentença foi lida no início da noite no Fórum de Linhares, onde o caso foi julgado, após reunião dos jurados do conselho de sentença. O julgamento estava previsto para terminar nesta quinta (20), véspera dos cinco anos do crime, segundo informações do g1.
No dia do incêndio na residência da família, na madrugada do dia 21 de abril de 2018, de primeiro momento, a notícia chegou como sendo um acidente doméstico. As chamas atingiram somente o quarto das crianças.
Na época, Georgeval contou que assistia a um filme com os filhos à noite e depois os colocou para dormir. Ainda segundo a versão do ex-pastor, por volta das 2h, a babá eletrônica que monitorava as crianças no quarto começou a apitar e ele ouviu gritos dos filhos. Depois disso, ele afirmou que teria tentado socorrer as crianças.
"Eu vi um fogo muito grande. Eu corri desesperado, eu escutei o choro deles, a gritaria, eles gritando pai, pai, pai. Eu coloquei a mão na cama e não consegui pegar. Eles se abraçaram, eu não consegui, o fogo estava muito quente, queimei meus pés, minhas mãos. Eu saí, estava só de cueca, gritando. Comecei a desesperar, duas pessoas vieram e me tiraram da casa, eu tentei uma três vezes entrar para salvar mas já não ouvia mais a voz deles”, contou Georgeval na época.
Horas depois do incêndio que matou as duas crianças, o então pastor foi até a igreja e fez um culto. Em seguida, foi a uma pizzaria de Linhares e apareceu com os pés enfaixados.
Uma semana depois do "acidente", a polícia técnica encontrou vestígios de sangue pela casa do ex-pastor. Em uma reviravolta, Georgeval é preso por atrapalhar as investigações e, após isso, as inconsistências da sua versão começam a aparecer.
Os bombeiros apontaram que Georgeval não tinha nenhuma queimadura no rosto, e que a versão narrada por ele seria impossível por causa das altas temperaturas que estariam no local do incêndio.
Ao todo, seis perícias foram feitas na casa. Trinta pessoas prestam depoimento e, ao final da investigação, a versão inicial de Georgeval é derrubada pelas provas técnicas.
A Polícia Civilentão concluiu que o ex-pastor estuprou, agrediu, torturou e queimou o filho e o enteado vivos.
O delegado André Jaretta contou que para ocultar o ato sexual, comprovado pela perícia, George agrediu as crianças. Essa agressão também foi confirmada pelos vestígios de sangue no banheiro. O exame de DNA atestou que o material era de Joaquim.
"Com as duas vítimas ainda vivas, porém desacordadas, o investigado as levou até o quarto, as colocou na cama e ateou fogo nas crianças, fazendo com que elas fossem mortas com o calor do fogo", disse o delegado.
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