Funcionário usava carro oficial da empresa nos atos de vandalismo e é suspeito de recrutar outras pessoas para participar das ações

Lívia Gennari Publicado em 25/07/2025, às 11h09
A Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) e a Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação de São Paulo anunciaram nesta quinta-feira (25) a demissão do servidor Edson Aparecido Campolongo, de 68 anos. Ele foi preso sob suspeita de envolvimento direto em ao menos 17 ataques a ônibus na Região Metropolitana de São Paulo.
De acordo com os órgãos estaduais, assim que a prisão de Campolongo foi confirmada, o secretário Marcelo Branco encaminhou um ofício à CDHU solicitando providências imediatas, resultando na demissão do funcionário.
Campolongo era servidor da CDHU há mais de três décadas e recebia um salário equivalente a R$ 11 mil. Segundo informações da Polícia Civil, ele utilizou um carro oficial da empresa pública para cometer os crimes. O veículo, que pertence a uma locadora contratada pela CDHU, foi flagrado por imagens de câmeras de segurança circulando em áreas onde ocorreram os ataques, especialmente na região do ABC Paulista.
A partir da identificação do automóvel, os investigadores chegaram até o servidor, que atuava como motorista do chefe de gabinete da CDHU e costumava acompanhar eventos oficiais no interior do estado. Durante buscas na residência de Edson, foram apreendidos estilingues e pedras que teriam sido usados nos atos de vandalismo.

À polícia, Edson disse que cometeu os ataques com a intenção de “salvar o país”. Nas redes sociais, o servidor publicava mensagens de teor político, com críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao Supremo Tribunal Federal (STF), além de declarações de apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Em alguns posts, ele afirmava que o Brasil precisava “parar” diante de um suposto avanço do comunismo.
Nesta semana, também foi preso o irmão de Edson, Sérgio Campolongo, que teve a prisão preventiva decretada pela Justiça e se entregou na última quarta-feira (24). Ele é investigado por participação em pelo menos dois ataques.
A polícia investiga ainda a possibilidade de que o servidor estivesse recrutando outras pessoas para realizar ações semelhantes em diferentes pontos da Grande São Paulo. As investigações seguem em andamento.
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