A investigação também envolve seu irmão, Sérgio, e considera disputas entre empresas de transporte como possível motivação para os ataques

Gabriela Thier Publicado em 23/07/2025, às 18h24
Um servidor público, identificado como Edson Aparecido Campolongo, de 68 anos, foi detido após ser acusado de participação em pelo menos 17 ataques a ônibus na Grande São Paulo. O funcionário, que exerce suas atividades na Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) há mais de três décadas, recebeu em junho um salário líquido superior a R$11 mil. Durante os atos violentos, utilizou um veículo oficial da instituição.
A prisão de Campolongo foi autorizada pela Justiça após investigações conduzidas pela Polícia Civil. As autoridades se depararam com registros em câmeras de segurança que mostraram um carro com a logomarca da CDHU nas proximidades dos locais onde ocorreram os ataques. A análise revelou que o veículo pertencia a uma locadora de automóveis, cedido à entidade governamental.
Após identificarem o carro, os policiais localizaram Campolongo, que atuava como motorista do chefe de gabinete da CDHU. Ele frequentemente participava de eventos oficiais no interior do estado, junto a autoridades do governo paulista, incluindo o governador Tarcísio Gomes de Freitas.
Embora seu comportamento pessoal fosse considerado discreto, Campolongo mantinha uma presença ativa nas redes sociais, onde frequentemente criticava o Supremo Tribunal Federal (STF) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao mesmo tempo em que expressava apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Funcionários da CDHU, que preferiram não se identificar, manifestaram surpresa com a prisão do colega, afirmando que jamais imaginaram sua ligação com os ataques. A notícia causou impacto profundo na equipe da CDHU; relatos indicam que o chefe de gabinete chegou a demonstrar forte emoção ao receber informações sobre as acusações contra Campolongo.
O irmão do motorista, Sérgio Aparecido Campolongo, também está sob investigação e teve sua prisão preventiva decretada. Sérgio se apresentou à polícia recentemente e é suspeito de auxiliar Edson em algumas das ações criminosas. Durante as buscas na residência de Edson, a polícia encontrou objetos que supostamente foram utilizados nos ataques.
Na delegacia, Edson confessou sua participação nos apedrejamentos dos ônibus, alegando que seus atos eram uma forma de protesto contra a situação política do Brasil. Segundo informações coletadas por autoridades, ele teria tentado justificar seus crimes como uma maneira de "consertar" o país.
Antes de sua detenção, Campolongo fez postagens nas redes sociais sugerindo que o país estaria à beira do "comunismo" e mencionou a necessidade de um "parada" geral. Um exemplo disso foi uma caricatura do ex-presidente norte-americano Donald Trump que ele compartilhou recentemente.
Os investigadores acreditam que Edson pode ter recrutado outros indivíduos para participar dos ataques. O secretário-executivo de Segurança Pública do estado, Osvaldo Nico, declarou à imprensa que ainda estão em fase inicial das investigações e não descartou a possibilidade de envolvimento de outras pessoas.
Além disso, o delegado Domingos de Paula Neto destacou que o carro utilizado por Campolongo circulava frequentemente entre São Bernardo do Campo e São Paulo devido à natureza do trabalho do chefe de gabinete para quem ele prestava serviços.
A investigação sobre os ataques aos ônibus também considera outras linhas possíveis. Entre elas está a hipótese de disputas internas entre empresas do setor de transporte coletivo e conflitos relacionados ao sindicato da categoria. Essa teoria ganhou força após relatos sobre rivalidades entre grupos dentro do sindicato.
A polícia reconhece ainda que houve um fenômeno de "contaminação" no ato de depredação dos ônibus; ou seja, indivíduos não ligados diretamente ao setor também podem ter participado dos ataques. Um dos incidentes mais graves ocorreu na Zona Sul da cidade, quando uma passageira foi gravemente ferida ao ser atingida por uma pedra durante um dos ataques.
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