Isolamento social e mudanças na legislação podem explicar o aumento; dados da SSP-SP revelam o maior número de casos desde 2001

Marina Roveda Publicado em 27/06/2023, às 09h07
No decorrer dos primeiros meses de 2023, o estado de São Paulo enfrenta uma realidade alarmante: o registro do maior número de estupros desde o início da série histórica da Secretaria de Segurança Pública (SSP-SP), em 2001. Apenas entre janeiro e maio, foram contabilizados 5.977 casos, o que equivale a uma média de 39 ocorrências por dia.
Especialistas em segurança pública alertam que esse número pode ser ainda mais elevado devido à subnotificação desse tipo de crime, um desafio para as autoridades no enfrentamento dessa violência. Diante desse cenário preocupante, é imprescindível uma análise criteriosa e a adoção de medidas concretas para combater essa problemática.
A urgência na busca por soluções efetivasse evidencia em episódios recentes, como o ocorrido no último domingo (25), quando uma jovem de 19 anos foi vítima de estupro durante um evento universitário na Neo Química Arena, na zona leste de São Paulo. O agressor foi flagrado por um segurança empurrando a vítima para dentro de um banheiro químico, ilustrando a vulnerabilidade enfrentada pelas mulheres em espaços públicos.
O aumento constante dos crimes sexuais ao longo dos anos é um alerta para a sociedade. Comparando com o início da série histórica, em 2001, quando foram registrados 1.695 casos de estupro nos primeiros cinco meses, o salto para os 5.977 casos em 2023 é alarmante. É importante ressaltar que dessas ocorrências, 1.433 são de estupro e 4.544 são de estupro de vulneráveis, envolvendo vítimas menores de 14 anos ou pessoas incapazes de discernir a violência, o que torna o quadro ainda mais grave.
A delegada Jamila Jorge Ferrari, coordenadora das Delegacias de Defesa da Mulher, destaca que a maior conscientização e a divulgação de informações sobre os crimes sexuais têm incentivado vítimas e responsáveis legais a denunciarem mais casos de estupro. No entanto, o impacto da pandemia de Covid-19, com o isolamento social e o acesso reduzido aos serviços de denúncia e proteção, contribuiu para a subnotificação e dificultou o combate a essa violência.
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