O crime aconteceu em Santos, no litoral paulista, e está sendo investigado pela PM

Mateus Omena Publicado em 01/06/2023, às 11h45
Uma mulher de 29 anos afirma ter sido agredida após sofrer injúria racial de um homem e sua mãe dentro de uma galeria.
O episódio aconteceu em Santos, no litoral de São Paulo, informou a TV Tribuna, afiliada da Rede Globo.
Em depoimento, a analista de atendimento ao cliente Latoya Cristina Ferraz contou, na última quinta-feira (1º), que levou uma ‘voadora’ do proprietário de um bar após discutir com a mãe dele, que agiu de forma preconceituosa com ela.
Por outro lado, o advogado que representa o estabelecimento nega que houve injúria racial e diz que a idosa de 67 anos também foi agredida por Latoya.
A analista de atendimento ao cliente explicou que foi para um ‘happy hour’ com quatro amigas em um bar na Galeria Casa Velha, no bairro do Gonzaga. Mas, o estabelecimento estava fechado e, por isso, ela saiu para fumar na área externa da galeria junto com a consultora de projetos Gabriela Ventura, de 32 anos.
As duas ficaram em frente a algumas mesas de um outro estabelecimento e, em certo momento, chegou um ambulante vendendo paçoca. “Ele falou: ‘moça, posso pegar um palito de dente?’ Então a gente virou e disse: ‘claro, pode pegar’. Quando ele foi pegar o palito, uma senhora [a idosa de 67 anos] veio correndo de onde estava”, relembra Latoya.
Segundo ela, a mulher disse que o ambulante não poderia pegar o item e mandou ele ir embora. Ele saiu da loja e as amigas questionaram o motivo da mulher agir de forma grosseira com o homem. “Aí ela falou: ‘o bar é meu e eu faço o que eu quiser, eu que pago esses palitos’”, afirma Latoya.
As amigas contaram que elas se ofereceram para pagar o item, mas não foram autorizadas pela mulher. “Ela disse: ‘esse homem passa aqui toda hora, eu já estou de saco cheio, vocês nem estão no meu bar’. Foi uma grosseria sem limites”, enfatiza a analista.
A discussão seguiu quando Latoya e Gabriela disseram que o bar estava perdendo duas possíveis clientes por conta de um palito de dente. “Nisso, o filho dela [e proprietário do bar na área externa] entrou na discussão e começou a falar: ‘se está com dó do moço, vai atrás dele e adota’. E a senhora falou: ‘não fala mais com ela [Latoya], olha a ...’ e fez o gesto com a mão por conta da minha cor”, relembra a analista de atendimento ao cliente.
A analista ficou furiosa e questionou se a idosa estava se referindo ao fato dela ser negra. “Falei: ‘você está falando da minha cor? Não acredito’. E ela continuou fazendo o gesto [apontando para o braço], mas quando peguei o celular, parou”, contou Latoya, que diz ter ficado nervosa e chamado a família de racista.
Gabriela contou à TV Globo que testemunhou tudo e ficou revoltada com a situação. “Eu estava desde o princípio incluída na mesma discussão sobre o palito de dente. Mas, por ser branca, em nenhum momento eles direcionaram injúrias para mim. A justificativa para não valer a pena conversar com a gente era pela cor da minha amiga”, ressalta.
Depois do, a dupla resolveu voltar ao bar onde estavam as outras amigas. Segundo elas, a idosa as interrompeu para seguir a discussão pelo palito de dente.
“Me empurrou. Nisso que ela me empurrou, eu empurrei de volta. Nisso, só senti uma coisa muito pesada nas minhas costas e fui caindo. Depois que eu vi que foi uma voadora que eu levei pelas costas do filho dela”, relembra Latoya.
Ela disse que caiu sobre a idosa após ser atingida pelo golpe. A partir daí, as pessoas passaram a intervir. Com a confusão, a analista diz ter ferido o antebraço, o tornozelo direito, o cotovelo e o joelho esquerdo. Ela foi até a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) após a Polícia Militar (PM) ser acionada.
Depois de testemunhar a violência, Gabriela afirma que ficou impressionada com o que viu. “A maior agressividade durante a discussão foi reservada contra a Latoya, apesar de eu estar falando tanto ou até mais do que ela”, afirma, dizendo ainda que ficou preocupada com a violência do homem contra a amiga. “Ele tinha o dobro do tamanho dela. Poderia ter sido uma tragédia”, enfatiza.
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