Após mortes de jovens em operações policiais, o ministro pede reflexão crítica sobre práticas de segurança no país

Gabriela Thier Publicado em 13/07/2025, às 18h15
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, utilizou suas redes sociais para enfatizar a urgência de uma reflexão crítica sobre a segurança pública no Brasil. Mendes destacou que "nenhuma suspeita, por mais séria que seja, justifica execuções sumárias", sublinhando que não há espaço para "atalhos punitivos" em um estado democrático.
Essas declarações surgem em um contexto marcado pela morte de Igor Oliveira de Moraes Santos, de 24 anos, que foi baleado por policiais militares enquanto já se encontrava rendido durante uma operação na favela de Paraisópolis, localizada na Zona Sul de São Paulo. O ministro também fez menção ao falecimento de Guilherme Dias, um marceneiro de 26 anos, que foi atingido por um tiro de um PM enquanto tentava pegar um ônibus em Parelheiros, no extremo sul da capital.
No caso de Guilherme Dias, o policial envolvido alegou ter confundido o jovem com um criminoso. Recentemente, na última sexta-feira (11), a Justiça paulista atendeu a um pedido do Ministério Público e reclassificou a morte como homicídio doloso, que implica intenção de matar. O caso agora será enviado ao Tribunal do Júri.
Em sua publicação, Mendes expressou sua indignação: "A morte de um jovem inocente de 26 anos, voltando do trabalho em Parelheiros/SP, e o assassinato de outro jovem de 24 anos em Paraisópolis/SP, em situações que sugerem uma possível execução, evidenciam a necessidade premente de refletirmos sobre a segurança pública no nosso país. A Constituição Federal de 1988 não aceita atalhos punitivos! A justiça deve ser fundamentada em provas e processos legais", afirmou.
Além disso, Gilmar Mendes ressaltou a importância das câmeras corporais para os policiais e criticou as práticas policiais na capital paulista. "As imagens registradas por câmeras corporais durante a ação em Paraisópolis reforçam a relevância desses dispositivos como ferramentas para controle, transparência e proteção tanto dos agentes quanto dos cidadãos", argumentou.
Ele acrescentou: "Entretanto, é necessário ir além: formação adequada para os policiais, comprometimento dos órgãos responsáveis pelo controle e respeito aos direitos humanos são fundamentais. O Estado não pode adotar as mesmas táticas daqueles que busca combater. A segurança pública deve ser baseada em inteligência e respeito à legalidade".
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