Fábio Anderson Pereira de Almeida foi considerado inapto para cargo na Polícia Científica por apresentar baixo equilíbrio emocional e dificuldade de trabalho em equipe

Lívia Gennari Publicado em 10/07/2025, às 18h00
O policial militar Fábio Anderson Pereira de Almeida, acusado de matar o jovem Guilherme Dias Santos Ferreira, de 26 anos, baleado na cabeça enquanto voltava do trabalho na Zona Sul de São Paulo, alegou ter confundido o rapaz com um assaltante. O crime aconteceu na noite da última sexta-feira (4), no bairro de Parelheiros, enquanto Guilherme corria para pegar o ônibus e voltar para casa.
Apesar da versão apresentada pelo policial, familiares, amigos e testemunhas questionam a ação e reforçam que Guilherme não oferecia nenhum risco. A família destacou que ele era um jovem trabalhador, sem antecedentes criminais, que apenas cumpria sua rotina diária.
O que aconteceu
Guilherme havia acabado de sair do expediente em uma fábrica de camas e baús, local onde trabalhava, e corria para não perder o ônibus quando foi atingido. Testemunhas afirmaram que ele bateu o ponto às 22h28 e, cerca de sete minutos depois, foi baleado. Ele ainda carregava sua mochila com objetos pessoais, entre eles um livro e sua marmita. Pouco antes do crime, Guilherme enviou uma mensagem à esposa avisando que estava indo para casa. O jovem havia retornado de férias apenas dois dias antes e seguia a mesma rotina todos os dias.
Histórico suspeito
O policial militar envolvido no caso apresenta um histórico que gerou dúvidas sobre sua aptidão. Em 2023, ele foi reprovado em exame psicológico para um concurso da Polícia Científica do Paraná, onde disputava uma vaga de Agente Auxiliar de Perícia Oficial. Na avaliação, não atingiu os critérios necessários em características fundamentais, como equilíbrio emocional e trabalho em equipe, sendo considerado inapto para o cargo.
O relatório da banca não especificou todos os motivos da reprovação, mas apontou que Fábio apresentou desempenho abaixo do esperado nos quesitos "Agressividade Controlada" e "Equilíbrio Emocional", além de ter resultado "muito baixo" na característica "Trabalho em Equipe".
Diante da desclassificação, ele recorreu administrativamente e, sem sucesso, acionou a Justiça alegando irregularidades no processo seletivo. No entanto, o juiz responsável pelo caso, Diego Santos Teixeira, manteve a decisão e ressaltou que não caberia ao Judiciário revisar o mérito da avaliação psicológica realizada por especialistas. O processo segue em curso no Paraná.
A morte de Guilherme provocou indignação entre familiares, amigos e grupos sociais, que apontam para o racismo estrutural e a violência policial.
Em nota, o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) cobrou uma investigação rigorosa e destacou a importância de apurar as circunstâncias do assassinato, que envolveu um jovem negro morto por um agente do Estado.
A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) também se manifestou e afirmou que o ingresso na Polícia Militar passa por uma seleção criteriosa, incluindo avaliações psicológicas conduzidas por uma banca especializada e alinhadas ao Código de Ética do Psicólogo.
As investigações estão em andamento, e o PM foi afastado das ruas. A SSP-SP informou ainda que um inquérito policial militar foi instaurado para apurar as circunstâncias da morte.
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