A medida posta pelo país está sendo usada como resposta a restrições impostas pela União Europeia

Milleny Ferreira Publicado em 25/06/2024, às 16h37
A Rússiaanunciou nesta terça-feira (25) a proibiçãode acesso à internet e a transmissão por radiodifusão de 81 meios de comunicação europeus em seu território, incluindo a Agência EFE.
Esta medida é uma retaliaçãoàs sanções impostas pelo Conselho da União Europeia em 17 de maio contra três veículos de comunicação russos – a agência “RIA Novosti” e os jornais “Izvestia” e “Rossiiskaya Gazeta” – que entraram em vigor na mesma data. O Ministério das Relações Exteriores da Rússia divulgou uma lista em seu site que inclui o portal da Agência EFE (efe.com).
O comunicado que acompanha a lista menciona que, em relação aos meios de comunicação de 25 países da União Europeia (UE), “são introduzidas medidas de resposta para limitar a radiodifusão e o acesso aos seus recursos na interneta partir do território da Federação Russa”.
O texto destaca que essas restrições são direcionadas aos meios de comunicação que “divulgam sistematicamente informações não confiáveis sobre o andamento da operação militar especial”, termo usado pela Rússia para descrever a invasão da Ucrânia iniciada em fevereiro de 2022.
Entre os 81 veículos de comunicação afetados estão os jornais espanhóis “El País” e “El Mundo”; os alemães “Die Zeit” e “Der Spiegel”; os italianos “La Stampa” e “La Repubblica”; o português “Público”; os franceses “Le Monde” e “Libération”; e a revista holandesa “Algemeen Dagblad”.
A lista também inclui emissoras de televisão como a italiana “RAI”; as francesas “LC1” e “Arte”; a irlandesa “RTE”; a portuguesa “RTP Internacional”; a holandesa “NOS”; e a austríaca “ORF”; além da estação “Radio France”. Entre as agências com acesso restrito estão a francesa “AFP” e a “Agência Europa”, além da própria EFE.
O Ministério das Relações Exteriores russo enfatizou que havia alertado repetidamente sobre o “assédio politicamente motivado” aos jornalistas russos e a proibição “infundada” dos meios de comunicação russos na UE, afirmando que tais ações não ficariam sem resposta, de acordo com informações do portal da Jovem Pan.
Moscou ressaltou que, ao escolher o caminho da “escalada”, as autoridades russas se viram obrigadas a tomar “medidas simétricas e proporcionais”.
A responsabilidade por este desenvolvimento dos acontecimentos cabe exclusivamente aos líderes da UE e aos países que apoiam o referido bloco”, afirmou o ministério.
Em meados de maio, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, havia avisado que o país tomaria medidas retaliatórias contra correspondentes ocidentais caso a UE restringisse os meios de comunicação russos.
"Até agora eles sentiram o nosso amor, agora também terão de sentir a nossa retaliação", declarou Zakharova em uma coletiva de imprensa, prometendo que Moscou responderia “repentinamente e de uma forma extremamente dolorosa para os ocidentais”.
Ela acrescentou que se um único meio de comunicação russo fosse sujeito a restrições infundadas, isso teria repercussões para os jornalistas ocidentais na Rússia.
Desde o início da guerra, a Rússia tem restringido o acesso de jornalistas estrangeiros a eventos organizados pelo Estado e, em alguns casos, não renovou os vistos de trabalho de alguns correspondentes ocidentais.
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