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União Europeia

O que muda com a ascensão da extrema direita na política da União Europeia?

Resultados eleitorais na Alemanha, França e Itália indicam mudanças significativas nas políticas de imigração e integração europeia

Eleições UE. - Imagem: Reprodução | X (Twitter) - @NatGarstecka
Eleições UE. - Imagem: Reprodução | X (Twitter) - @NatGarstecka

por Marina Milani

Publicado em 10/06/2024, às 10h57


O recente avanço da extrema direita nas eleições para o Parlamento Europeu está provocando um movimento significativo em direção à revisão das políticas centrais da União Europeia. Partidos ultranacionalistas e conservadores obtiveram resultados expressivos nos três principais países do bloco: Alemanha, França e Itália.

Na Alemanha, o partido Alternativa para a Alemanha (AfD) conquistou o segundo lugar, ultrapassando o Partido Social Democrata do chanceler Olaf Scholz. Este sucesso eleitoral do AfD, que tem raízes neonazistas, sinaliza uma crescente insatisfação com as políticas atuais e pressiona o governo alemão a reconsiderar suas abordagens.

Na França, o União Nacional, liderado por Marine Le Pen, superou significativamente o partido do presidente Emmanuel Macron, Renascimento. O desempenho robusto de Le Pen força uma reavaliação das estratégias políticas e pode levar a uma reestruturação da Assembleia Nacional, reforçando a influência do União Nacional na política francesa.

Na Itália, o partido Irmãos da Itália, sob a liderança da premiê Giorgia Meloni, emergiu como o grande vencedor, consolidando sua posição e aumentando a pressão sobre as políticas europeias tradicionais. A vitória de Meloni fortalece o bloco conservador na Europa, exigindo respostas adaptativas das instituições europeias.

Embora esses partidos não tenham alcançado a maioria no Parlamento Europeu, os eleitores das três principais nações europeias deixaram uma mensagem clara que não pode ser ignorada. Isso impulsionará os líderes europeus em Bruxelas a reavaliar diversas políticas.

Revisão das políticas de imigração

A imigração, em particular, será uma área fortemente impactada por essa mudança política. Os partidos ultraconservadores frequentemente atribuem muitos dos problemas europeus aos imigrantes, alimentando um discurso que, por vezes, é abertamente xenofóbico.

A Europa enfrenta um fluxo considerável de imigrantes, que muitas vezes é desordenado, e isso fortalece a retórica nacionalista contra imigrantes, especialmente os provenientes da África e do Oriente Médio. Diante desse cenário, Bruxelas terá que implementar políticas mais rigorosas e coordenadas para administrar melhor a imigração e reduzir a atração dos discursos ultraconservadores.

Os países europeus precisam trabalhar juntos para controlar o fluxo ilegal de imigrantes e combater os traficantes que facilitam as perigosas travessias do Mediterrâneo. A adoção de medidas mais eficazes para prevenir tragédias marítimas e garantir a segurança nas fronteiras será crucial.

Desafios 

Este novo cenário político exige uma resposta eficaz e imediata da União Europeia. As instituições europeias precisarão encontrar um equilíbrio entre as demandas internas e os valores de integração e solidariedade que sustentam o bloco. A capacidade da UE de adaptar suas políticas será fundamental para enfrentar os desafios impostos por essa nova configuração parlamentar e manter a coesão e a estabilidade na região.

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