Oposição promete nova ofensiva enquanto crise política ameaça estabilidade do país

Gabriela Thier Publicado em 07/12/2024, às 14h49
O cenário político na Coreia do Sul testemunhou, neste sábado, um capítulo tenso e decisivo com a tentativa de impeachment do presidente Yoon Suk Yeol. A proposta foi rejeitada no parlamento, dominado pela oposição, devido à ausência de votos suficientes após membros do partido governista boicotarem a sessão.
A votação registrou 195 votos, insuficientes para atingir o quórum necessário de 200 para que o processo fosse validado, resultando no arquivamento da moção.
Woo Won-shik, Presidente da Assembleia Nacional, destacou a importância do evento ao afirmar que tanto o país quanto o mundo observavam atentamente a decisão parlamentar. Lamentou ainda a falta de engajamento suficiente entre os legisladores para que os votos fossem considerados.
O Partido Democrático, principal força opositora, já sinalizou a intenção de renovar esforços para levar adiante o processo de impeachment. Em resposta, o partido de Yoon prometeu buscar soluções "mais ordenadas e responsáveis" para lidar com a crise atual.
A controvérsia se intensificou quando Yoon, na terça-feira anterior, outorgou amplos poderes emergenciais às forças armadas para conter supostas "forças antiestatais" e opositores políticos. A ordem foi revogada seis horas depois, após resistência do parlamento que votou unanimemente contra a medida. Esse episódio gerou uma crise política sem precedentes na Coreia do Sul em décadas, colocando em risco sua imagem como um modelo democrático estável.
Para avançar com o impeachment, a oposição necessitava de pelo menos oito votos dissidentes do Partido do Poder Popular (PPP), alinhado ao presidente. No entanto, após a votação de outra moção, membros do PPP se retiraram da sessão, resultando em protestos verbais e apenas três votos favoráveis por parte dos conservadores.
Em meio às tensões, Yoon apresentou desculpas públicas à população no sábado, mas resistiu aos pedidos para sua renúncia antes da votação. O partido governista enfatizou que não repetiria o episódio de 2016 envolvendo Park Geun-hye, cuja destituição por um escândalo levou ao colapso do então governo conservador e abriu caminho para a ascensão dos liberais ao poder.
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