Yoon Suk Yeol decretou, na última terça-feira (3), a necessidade da lei marcial como uma medida para proteger o país contra forças antiestatais pró-Coreia do Norte e salvaguardar a ordem constitucional, a qual foi posteriormente revogada pelo próprio

William Oliveira Publicado em 04/12/2024, às 10h45
Parlamentares da Coreia do Sul apresentaram, nesta quarta-feira (4), uma proposta de impeachment contra o presidente Yoon Suk Yeol, após ele ter decretado e posteriormente revogado a lei marcial, provocando uma significativa crise política na quarta maior economia asiática.
A inesperada decretação de lei marcial, ocorrida nesta terça-feira (3), gerou um impasse entre o governo e o Parlamento sul-coreano. A tentativa de Yoon de restringir atividades políticas e impor censura à mídia foi prontamente rejeitada pelos parlamentares, culminando em uma intervenção militar no prédio da Assembleia Nacional, em Seul.
O Partido Democrático (PD), principal partido de oposição, exigiu que Yoon renunciasse ou enfrentasse um processo de destituição. Em resposta, seis partidos oposicionistas submeteram uma proposta ao Parlamento para remover Yoon do cargo, com a votação prevista para ocorrer entre sexta-feira (6) e sábado.
Kim Yong-min, parlamentar do PD, afirmou à imprensa que "não poderíamos ignorar a ilegalidade da lei marcial" e destacou a importância de preservar a democracia. Internamente, o Partido do Poder Popular, ao qual Yoon pertence, também enfrenta divisões significativas. O líder do partido instou pela demissão do ministro da Defesa, Kim Yong-hyun, além da renúncia coletiva do gabinete governamental. O Ministério da Defesa confirmou que Kim apresentou seu pedido de demissão.
Em discurso televisionado, Yoon justificou a necessidade da lei marcial como uma medida para proteger o país contra forças antiestatais pró-Coreia do Norte e salvaguardar a ordem constitucional. No entanto, ele não especificou ameaças concretas.
O anúncio resultou em cenas caóticas quando tropas tentaram tomar controle do Parlamento, mas recuaram após serem confrontadas por assessores utilizando extintores de incêndio e manifestantes que se opunham às forças policiais.
De acordo com as autoridades militares, a atividade parlamentar e dos partidos seria suspensa, enquanto os meios de comunicação ficariam sob comando militar. Contudo, desafiando essas medidas, 190 dos 300 membros do Parlamento sul-coreano reuniram-se e votaram unanimemente pela suspensão da lei marcial. Dentre eles, estavam 18 membros do partido governista.
Após cerca de seis horas da promulgação inicial, Yoon revogou a declaração de lei marcial. Manifestantes celebraram do lado de fora da Assembleia Nacional com gritos de vitória e aplausos.
Um funcionário presidencial declarou à Reuters que a decisão sobre a lei marcial foi tomada dentro dos limites constitucionais, apesar das críticas quanto aos procedimentos adotados. Até o momento, não houve reação oficial da Coreia do Norte sobre os acontecimentos no país vizinho.
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