Porta-voz do Irã afirma que não faz sentido negociar com aliados de agressões, destacando a colaboração entre EUA e Israel

Gabriela Thier Publicado em 16/06/2025, às 14h46
O governo iraniano decidiu interromper as conversações com os Estados Unidos a respeito do programa nuclear do país, programadas para o último domingo (15) em Omã. Essa decisão ocorre após a República Islâmica acusar Washington de ser cúmplice dos recentes ataques realizados por Israel.
Esmail Baqaei, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, declarou que não há sentido em prosseguir com negociações com um aliado que apoia agressões contra Teerã. "Os EUA, apesar de suas promessas de diálogo e diplomacia, têm respaldado a ofensiva do regime sionista, incluindo ataques às nossas instalações nucleares pacíficas", afirmou durante uma coletiva à imprensa nesta segunda-feira (16).
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Seyyed Abbas Araghchi, corroborou essas alegações, enfatizando que os ataques israelenses não teriam sido possíveis sem a assistência dos Estados Unidos. Em sua declaração, ele destacou: "Possuímos evidências concretas de que forças americanas na região auxiliaram as ações do regime sionista. Temos monitorado atentamente e coletado provas substanciais da colaboração entre eles".
Araghchi também mencionou que recebeu comunicações de diferentes fontes afirmando que os EUA não estavam envolvidos nas agressões; no entanto, reiterou a desconfiança iraniana em relação a essas mensagens. Ele exigiu uma declaração pública clara por parte dos EUA condenando os ataques: "Se realmente não estão envolvidos, devem se manifestar de forma explícita. Mensagens privadas não são suficientes".
O presidente Donald Trumpelogiou publicamente os ataques israelenses e sugeriu ao Irã que aceitasse um acordo referente ao seu programa nuclear para evitar novos confrontos. Em suas redes sociais, Trump expressou otimismo sobre a possibilidade de um acordo futuro entre Irã e Israel.
Apesar da suspensão das negociações, Araghchi reiterou a intenção do Irã em demonstrar ao mundo que seu programa nuclear é destinado apenas a fins pacíficos. Ele recordou que já havia realizado diversas rodadas de negociações com os EUA e estava preparado para apresentar uma proposta concreta na sexta rodada.
As justificativas apresentadas pelo governo israelense para seus ataques ao Irã incluem alegações de que Teerã estaria desenvolvendo armas nucleares, um fato negado pela República Islâmica. Enquanto Israel não é signatário do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP), o Irã tem se submetido às inspeções da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
Estima-se que Israel possua cerca de 90 ogivas nucleares, segundo organizações como a Federação de Cientistas Americanos e a Associação de Controle de Armamentos. A AIEA aprovou uma resolução no dia anterior aos ataques israelenses afirmando que o Irã não estava cumprindo suas obrigações; Teerã refutou essa alegação como sendo politicamente motivada.
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