Em conversa de quase uma hora, líderes ressaltaram riscos do atual conflito e reforçam a importância do diálogo para restaurar a estabilidade na região

Lívia Gennari Publicado em 14/06/2025, às 18h25 - Atualizado às 21h28
Em uma conversa telefônica realizada neste sábado (14), os presidentes da Rússia, Vladimir Putin, e dos Estados Unidos, Donald Trump, abordaram a perigosa escalada do conflito entre Irã e Israel, além dos esforços para buscar um acordo na guerra da Ucrânia.
Segundo o Kremlin, a ligação durou cerca de 50 minutos, sendo a quinta conversa direta entre os dois líderes desde a posse de Trump, que tem buscado uma aproximação com Moscou que representa uma mudança em relação à administração anterior.
No diálogo, Putin ressaltou a "perigosa escalada" no Oriente Médio como tema central, demonstrando preocupação com a operação militar de Israel contra o Irã. O assessor do Kremlin, Yuri Ushakov, afirmou que Putin condenou a ofensiva israelense e alertou para os riscos de uma escalada que poderia desestabilizar ainda mais a região, com consequências imprevisíveis.
Trump, por sua vez, destacou que "o Irã não pode ter uma arma nuclear e, nisso, creio que estamos de acordo", e sugeriu que Putin poderia ser um interlocutor importante nas negociações com o regime iraniano, dada a proximidade da Rússia com Teerã. Recentemente, o Kremlin defendeu o direito do Irã de desenvolver energia nuclear para fins civis, enquanto mantém o maior arsenal nuclear do mundo, legado da União Soviética.
Dialógo sobre Ucrânia
Além do Oriente Médio, a conversa também abordou a guerra na Ucrânia. Putin informou Trump sobre os avanços nos acordos firmados durante a reunião das delegações russa e ucraniana em Istambul, no dia 2 de junho, e manifestou disposição para retomar as negociações a partir do dia 22 de junho. Trump reafirmou seu interesse por uma resolução rápida do conflito.
O presidente russo aproveitou a ligação para felicitar Trump pelo aniversário e destacou a "irmandade de armas" entre a União Soviética e os Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial.
No campo de batalha, Israel anunciou a intenção de atingir “todos os locais” ligados ao regime iraniano, garantindo contar com o “apoio manifesto” de Trump durante o segundo dia de ataques contra o Irã, que respondeu prometendo uma retaliação “mais contundente”. O governo iraniano acusa Israel de provocar um “ciclo perigoso de violência” na região e de comprometer as negociações com Washington sobre seu programa nuclear.
Esta matéria contém informações da Reuters e AFP.
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