Ataques deixam centenas de feridos e agravam tensão internacional entre potências nucleares

Lívia Gennari Publicado em 15/06/2025, às 17h49
O conflito entre Israel e Irã, iniciado na última quinta-feira (12), segue com intensos ataques e um alto número de vítimas em ambos os países. Até este domingo, o total de mortos chegou a 80 no Irã e a 14 em Israel, além de centenas de feridos.
Segundo informações do The Times of Israel e The Jerusalem Post, os ataques realizados neste domingo (15), em solo israelense deixaram 11 mortos, elevando para 14 o total de vítimas no país, além de cerca de 390 feridos. Entre os alvos dos bombardeios estão prédios residenciais localizados no litoral e no norte de Israel, além de estações de abastecimento usadas por caças da força aérea israelense.
No Irã, os números são ainda mais expressivos: 80 mortos e 320 feridos, conforme dados da Al Jazeera. O ataque israelense mais recente atingiu a sede do Ministério da Defesa iraniano, localizada em Teerã, além do depósito de petróleo em Shahran, região a noroeste da capital, conforme reportou a agência semioficial Tasnim.
O Ministério da Defesa de Israel afirmou que o Irã lançou cerca de 280 mísseis balísticos contra o país, alguns dos quais conseguiram romper a defesa do sistema “Domo de Ferro” — um avançado escudo antimísseis que detecta e intercepta projéteis para proteger áreas habitadas e estratégicas. Apesar disso, as Forças Armadas israelenses minimizaram o impacto, explicando que alguns projéteis foram permitidos atingir áreas abertas, seguindo protocolos que visam preservar os interceptadores para mísseis com maior potencial de causar danos.
Mesmo assim, ataques atingiram áreas residenciais e causaram danos em cidades como Tel Aviv, Ramat Gan, Rishon Lezion, Bat Yam e Rehovot, todas localizadas na região central de Israel. Segundo os militares israelenses, os mísseis balísticos iranianos transportariam ogivas pesando cerca de 500 quilos.
Sobre o armamento utilizado por Israel, há poucas informações oficiais, mas registros apontam que, na sexta-feira (13), cerca de 200 aviões israelenses lançaram 330 mísseis nos primeiros ataques. Na noite de sábado, Israel afirmou ter atingido 80 alvos em Teerã, embora não confirme oficialmente a posse de um arsenal nuclear, estimado em cerca de 90 ogivas.
Além dos alvos militares, instalações de combustíveis estratégicos no Irã também foram atingidas. Israel bombardeou o maior campo de gás natural do mundo, South Pars, e o depósito de petróleo de Shahran, atingindo pontos cruciais da infraestrutura energética iraniana.
Entenda o conflito
Israel justificou seus ataques como uma medida preventiva contra o suposto programa nuclear iraniano. Apesar das afirmações de Teerã de que o enriquecimento de urânio é voltado apenas para fins energéticos, Israel, os Estados Unidos e a Organização das Nações Unidas (ONU) acreditam que o Irã está cada vez mais próximo de desenvolver uma arma nuclear.
O Irã é o único país não nuclear que enriquece urânio a 60%, percentual considerado próximo do necessário para a fabricação de uma bomba atômica. Embora as armas nucleares mais potentes exijam urânio enriquecido a 90%, alcançar esse estágio seria uma tarefa relativamente simples para um país que já domina o nível de 60%, segundo informações da agência oficial israelense.
Por outro lado, o governo iraniano acusa os EUA e Israel de mentir sobre o programa nuclear e responsabiliza Washington pelas consequências dos ataques israelenses, afirmando que as operações não poderiam ocorrer sem a coordenação e permissão dos Estados Unidos.
O conflito, que já deixa um saldo trágico, mantém-se em alta tensão, com ataques contínuos em Teerã, Jerusalém e Tel Aviv.
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