Passagem estratégica volta a operar durante trégua, enquanto bloqueio naval dos EUA levanta dúvidas sobre eficácia

Letícia Sales Publicado em 17/04/2026, às 11h39
A República Islâmica do Irã anunciou, nesta sexta-feira (17), a reabertura do Estreito de Ormuz para o tráfego de navios comerciais, em meio ao cessar-fogo que envolve conflitos no Oriente Médio. A medida ocorre após o acordo que interrompeu temporariamente as hostilidades no Líbano entre Israel e Hezbollah.
Responsável por cerca de 20% do petróleo transportado no mundo, o estreito vinha sendo foco de tensão e instabilidade econômica global. A expectativa é que a passagem permaneça aberta até o fim do período da trégua entre Irã e Estados Unidos, previsto para a próxima terça-feira (21).
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Seyed Abbas Araghchi, confirmou a decisão e detalhou os termos da liberação. “A passagem para todos os navios comerciais pelo Estreito de Ormuz é declarada completamente aberta pelo período restante do cessar-fogo, na rota coordenada já anunciada pela Organização de Portos e Marítima da República Islâmica do Irã.”
O entendimento entre Teerã e Washington também previa a suspensão de confrontos em outras frentes. No entanto, ataques de Israel ao Líbano continuaram nos últimos dias, o que levou o Irã a condicionar avanços nas negociações ao fim das ofensivas.
O cessar-fogo no território libanês entrou em vigor na noite de quinta-feira (16), após 45 dias de conflito que deixaram mais de 1 milhão de deslocados. Com a trégua, moradores começaram a retornar às suas casas, em meio a um cenário ainda marcado por destruição.
Apesar do avanço diplomático, os Estados Unidos anunciaram um bloqueio naval contra portos iranianos. A efetividade da medida, porém, é questionada. Dados da empresa de monitoramento marítimo Kpler, divulgados à agência AFP, indicam que ao menos três petroleiros iranianos, transportando cerca de 5 milhões de barris de petróleo, conseguiram deixar o Golfo Pérsico pelo próprio Estreito de Ormuz mesmo sob restrições.
O cenário segue instável, com impactos diretos no mercado internacional de energia e nas negociações políticas que tentam evitar uma escalada maior do conflito.
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