País perde milhões de habitantes em um ano e vê pirâmide etária se inverter

Gabriela Nogueira Publicado em 20/01/2026, às 18h16
A China, segunda maior economia do planeta, vive um silencioso esvaziamento de berços. Pelo quarto ano consecutivo, a população do país diminuiu, impulsionada por um colapso histórico no número de nascimentos. Em 2025, apenas 7,92 milhões de bebês nasceram no território chinês, uma queda de 17% em relação ao ano anterior e o menor patamar desde a fundação da República Popular, em 1949.
Os números deixam claro o desequilíbrio demográfico. Para cada mil habitantes, apenas cinco crianças nasceram, enquanto oito pessoas morreram. O resultado foi um saldo negativo de 3,4 milhões de habitantes em apenas doze meses, uma perda populacional comparável ao desaparecimento de duas grandes cidades brasileiras de médio porte em um único ano.
Apesar de uma série de tentativas do governo para reverter a tendência, o problema vai além de campanhas pontuais. Incentivos financeiros, subsídios diretos às famílias e até medidas indiretas não conseguiram frear a decisão de adiar ou abandonar a ideia de ter filhos. O custo de criar uma criança na China chega a 6,3 vezes a renda média anual, bem acima do observado em países como Estados Unidos e Japão.
Esse cenário se agrava com a rápida transformação da pirâmide etária. A expectativa é que o país tenha cerca de 400 milhões de idosos até 2035, enquanto a entrada de jovens no mercado de trabalho diminui ano após ano. O temor das autoridades é claro: envelhecer antes de alcançar um nível de renda compatível com países desenvolvidos, o que pode pressionar sistemas de previdência, saúde e crescimento econômico.
As projeções de longo prazo reforçam o alerta. Segundo estimativas da ONU, o número de mulheres em idade reprodutiva na China deve cair drasticamente até o fim do século, ficando abaixo de 100 milhões. Isso representa uma redução de quase dois terços em relação aos níveis atuais, tornando a recuperação demográfica ainda mais difícil.
O fenômeno não é exclusivo da China. No Brasil, sinais semelhantes já aparecem em algumas regiões, especialmente no Sul. Dados do IBGE indicam que a população brasileira deve atingir estabilidade por volta de 2042 e, a partir daí, começar a diminuir. A diferença é que, no caso chinês, a velocidade e a escala do encolhimento tornam o desafio imediato e estratégico, com impactos diretos no futuro econômico e social do país.
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