Diário de São Paulo
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Faixa de Gaza

Chefe do Hamas confirma fim da guerra e cessar-fogo permanente

Libertação de reféns prevista para segunda-feira; governo de Israel avalia formalização

Chefe do Hamas recebe garantias de cessar-fogo permanente - Imagem: Reprodução/G1
Chefe do Hamas recebe garantias de cessar-fogo permanente - Imagem: Reprodução/G1

Gabriela Nogueira Publicado em 09/10/2025, às 16h32


Em uma movimentação histórica, Israel e Hamas assinaram um acordo de paz que marca o início de um cessar-fogo na Faixa de Gaza. A declaração foi feita por Khalil Al-Hayya, um dos principais líderes do Hamas, que anunciou o fim das hostilidades e a obtenção de garantias dos Estados Unidos e de mediadores árabes para um cessar-fogo permanente.

As conversas que levaram a este acordo foram mediadas por uma coalizão internacional, incluindo representantes do Egito, Catar e Turquia. Al-Hayya, que desempenhou um papel crucial como negociador-chefe do Hamas, mencionou que a guerra teve início em 7 de outubro de 2023, após um ataque do grupo que resultou em mais de 1.200 mortes israelenses e no sequestro de 251 indivíduos. Desde então, a crise humanitária se agravou com a morte de mais de 60 mil palestinos na região, conforme informações fornecidas por autoridades ligadas ao Hamas.

O anúncio oficial do acordo ocorreu na quarta-feira (8), com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, destacando que ambas as partes concordaram em implementar uma primeira fase para o término do conflito. Os ministros do governo israelense estavam reunidos para discutir a ratificação do tratado até a última atualização deste relatório. Um porta-voz do governo israelense indicou que o cessar-fogo deverá ser efetivado dentro de 24 horas após a aprovação formal.

Um aspecto essencial para a continuidade do acordo é a exigência de Israel para que o Hamas desista do controle sobre Gaza e entregue suas armas. No entanto, representantes do Hamas já se manifestaram contrários à ideia de desarmamento, afirmando que "nenhum palestino aceitará" tal condição.

Enquanto isso, Itamar Ben-Gvir, líder do partido extremista dentro da coalizão governamental israelense, expressou sua intenção de destituir Benjamin Netanyahu caso ele não consiga desmantelar o Hamas como parte das negociações.

Outro ponto controverso no acordo refere-se à devolução dos corpos de reféns que morreram enquanto estavam sob cativeiro do Hamas. Relatos da mídia indicam que o grupo terrorista enfrenta dificuldades para localizar todos os corpos dos reféns mortos. Em resposta à situação, a Turquia anunciou a formação de uma força-tarefa composta por autoridades internacionais para auxiliar na busca pelos corpos desaparecidos na Faixa de Gaza.

Estima-se que até agora 28 dos 48 reféns ainda sob custódia do Hamas tenham falecido, mas a localização exata dos corpos permanece incerta. A imprensa também informou que o Hamas pediu um prazo adicional para entregar os corpos das vítimas mortas.

Conforme mencionado por Trump, espera-se que todos os reféns sejam libertados até segunda-feira (13). O plano de paz estabelece que durante esta primeira fase, todos os reféns mantidos pelo Hamas desde outubro passado serão soltos em troca da liberação de prisioneiros palestinos por parte de Israel.

A proposta prevê ainda um recuo das tropas israelenses na Faixa de Gaza e um aumento significativo na entrega de ajuda humanitária à região. As Forças de Defesa de Israel se comprometeram a reduzir sua área ocupada em Gaza conforme parte das discussões para um cessar-fogo efetivo.

Ainda não há clareza sobre quando exatamente o acordo entrará em vigor oficialmente. Netanyahu afirmou que o governo deverá votar sobre a proposta nesta quinta-feira e reforçou que isso representa um avanço significativo nas relações entre Israel e seus vizinhos.

Apesar da assinatura inicial, muitos detalhes do tratado ainda permanecem vagos e sem confirmação pública. O entendimento sobre como será feita a transição política na Faixa de Gaza também levanta questões importantes para o futuro da região.

O primeiro-ministro israelense celebrou o acordo como uma "vitória moral" para seu país, enquanto o Hamas expressou gratidão aos mediadores pelo esforço em buscar um fim duradouro ao conflito. As expectativas permanecem altas quanto à implementação eficaz deste acordo e seu impacto na estabilidade da região nos próximos meses.


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