O ministro enfatiza que superávit comercial dos EUA com o Brasil abre oportunidades de investimento

Gabriela Thier Publicado em 07/10/2025, às 15h07
Nesta terça-feira (7), o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, anunciou que o Brasil está preparado para apresentar uma série de argumentos econômicos robustos durante as negociações com os Estados Unidos, com o objetivo de contestar o aumento das tarifas sobre produtos brasileiros exportados para aquele país. Haddad destacou que um dos principais pontos a ser enfatizado é o impacto negativo que essa política tarifária tem gerado na vida dos cidadãos americanos.
Durante sua participação no programa Bom Dia Ministro, transmitido pela Empresa Brasil de Comunicação, o ministro declarou: "O papel do Ministério da Fazenda e do Ministério do Desenvolvimento [Indústria, Comércio e Serviços - MDIC] é fornecer as melhores evidências econômicas para demonstrar que os cidadãos dos Estados Unidos estão sentindo os efeitos do tarifaço. O preço do café da manhã aumentou, a carne ficou mais cara e eles perderão acesso a produtos brasileiros de alta qualidade, tanto na agricultura quanto na indústria".
Os produtos afetados pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos incluem café, frutas e carnes. Haddad ainda ressaltou que nos últimos dois meses ficou evidente que essas medidas tarifárias têm causado mais danos do que benefícios para a economia americana. O ministro lembrou que os Estados Unidos mantêm um superávit comercial em relação ao Brasil e que há inúmeras oportunidades de investimento, especialmente nas áreas de transformação ecológica, terras raras, minerais críticos e energias limpas como a solar e a eólica.
Contexto do Tarifaço
A imposição das tarifas aos produtos brasileiros faz parte de uma estratégia mais ampla adotada pela administração do ex-presidente Donald Trump, cujo objetivo era aumentar as tarifas sobre parceiros comerciais na tentativa de restaurar a competitividade da economia americana frente à China, que vinha crescendo nas últimas décadas.
No dia 2 de abril deste ano, Trump implementou tarifas alfandegárias baseadas no déficit comercial dos Estados Unidos com cada país. Como os EUA possuem um superávit em relação ao Brasil, a taxa aplicada foi a menor entre as tarifas estabelecidas, fixada em 10%. Contudo, em 6 de agosto do mesmo ano, uma tarifa adicional de 40% entrou em vigor como retaliação às decisões consideradas prejudiciais às grandes empresas de tecnologia americanas e em resposta ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentar liderar um golpe de Estado após sua derrota nas eleições de 2022.
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