Entre ataques aéreos, discursos inflamados e alianças internacionais em jogo, a guerra na Faixa de Gaza completa dois anos, resultando em mais de 67 mil mortos

William Oliveira Publicado em 07/10/2025, às 10h09
Nesta terça-feira (7), a guerra na Faixa de Gaza completa dois anos, deixando um rastro devastador de destruição e mais de 67 mil mortos. Mesmo com avanços nas negociações de paz mediadas pelos Estados Unidos entre Israel e o Hamas, a crise humanitária resultante do conflito isolou significativamente Tel Aviv no cenário internacional — uma condição que deve perdurar por um longo período.
A falta de apoio global a Israel ficou evidente durante a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), realizada em setembro. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu enfrentou vaias e manifestações de repúdio por parte de diversas delegações, incluindo a do Brasil. Algumas comissões chegaram a deixar o plenário antes do início do discurso do premiê, refletindo o crescente descontentamento internacional com as ações israelenses em Gaza.
Durante o evento, Netanyahu relembrou os ataques promovidos pelo Hamas, que deixaram mais de 1,2 mil israelenses mortos e 251 pessoas sequestradas — das quais 48 ainda permanecem sob custódia, sendo 20 ainda vivas. O líder israelense também criticou as sanções propostas por aliados tradicionais, como as novas medidas em discussão na Comissão Europeia, que incluem a possibilidade de suspender acordos comerciais entre Israel e o bloco europeu.
Esse crescente isolamento político tem comprometido a posição de Israel no cenário global. O país enfrenta não apenas críticas generalizadas, mas também acusações formais de genocídio feitas por investigadores independentes e um processo em andamento na Corte Internacional de Justiça (CIJ). Além disso, Netanyahu e o ex-ministro da Defesa Yoav Gallant são alvos de mandados de prisão emitidos pelo Tribunal Penal Internacional (TPI), sob acusações de crimes contra a humanidade.
A ONU estabeleceu, em 1948, a proposta da solução de dois Estados, mas até hoje a Palestina não é reconhecida oficialmente como Estado devido à ocupação contínua por Israel. Ainda assim, mais de 70% dos países membros da Assembleia Geral da ONU reconhecem a Palestina como um Estado soberano.
Números da guerra
Desde o início do conflito, os números são alarmantes: mais de 67 mil palestinos morreram e cerca de 169 mil ficaram feridos. A ONU também relata a morte de 562 trabalhadores humanitários durante o período.
A crise humanitária se agrava a cada dia, com níveis extremos de insegurança alimentar atingindo quase toda a população das províncias de Deir al-Balah e Khan Younis. Segundo a ONU, uma em cada três crianças na Cidade de Gaza está desnutrida, e o enclave possui o maior número per capita de crianças amputadas do mundo.
De acordo com o Comitê Internacional de Resgate (IRC), uma em cada três crianças pequenas passou pelo menos um dia sem alimentação nas últimas 24 horas.
A situação se torna ainda mais crítica diante da obstrução da entrada de ajuda humanitária essencial, imposta por Israel. A combinação entre as hostilidades contínuas e as restrições de acesso transformou Gaza em uma das piores crises humanitárias do planeta.
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