Escalada de violência ameaça segurança na região

Gabriela Thier Publicado em 29/01/2025, às 15h49
Na noite da última terça-feira (28), o Ministério das Relações Exteriores do Brasil, conhecido como Itamaraty, divulgou uma nota oficial expressando sua "grave preocupação" em relação aos recentes ataques que afetaram a embaixada brasileira na República Democrática do Congo (RDC). A nota também confirmou que os funcionários da missão diplomática estão seguros.
A nota enfatiza a importância do "princípio básico da inviolabilidade das missões diplomáticas", ressaltando a responsabilidade do governo anfitrião em garantir a proteção tanto ao pessoal diplomático quanto às instalações da embaixada.
O Itamaraty reiterou sua confiança de que as autoridades congolenses tomarão medidas adequadas para restabelecer a segurança na área. Durante os incidentes, foi reportado que a bandeira do Brasil foi retirada e levada por membros da multidão que invadiu a representação diplomática.
Em uma comunicação anterior, o governo brasileiro já havia manifestado sua inquietação em relação ao aumento da violência no leste da RDC, particularmente na cidade de Goma. Essa preocupação se estende também aos ataques contra tropas de missões internacionais, como as da Organização das Nações Unidas (ONU) e da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral, que resultaram na morte de 13 integrantes dessas forças.
A nota oficial destaca que o Brasil é um contribuinte histórico para as operações de paz no país, atualmente contando com 22 militares envolvidos na missão.
Para contextualizar a situação, relatos da imprensa internacional indicam que membros do grupo rebelde M23 assumiram o controle do aeroporto de Goma após uma ofensiva que resultou em uma grande quantidade de vítimas nas ruas. Goma está situada no extremo leste da RDC, na fronteira com Ruanda, distante mais de 2 mil quilômetros da capital Kinshasa, localizada no extremo oeste do país.
Esse cenário atual é considerado a maior escalada de violência desde 2012 neste conflito que já dura três décadas, impulsionado por disputas pelo controle dos ricos recursos minerais da região. Além de sua abundância em ouro, a área é rica em minerais essenciais para a fabricação de eletrônicos e baterias de veículos elétricos.
De acordo com informações divulgadas em setembro de 2024 pela missão da ONU na RDC, o comércio de minerais na região de Rubaya representa mais de 15% do fornecimento global de tântalo, mineral considerado crítico tanto pelos Estados Unidosquanto pela União Europeia.
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