Tratado promete reduzir tarifas e simplificar o comércio, beneficiando setores como agronegócio e indústria no Brasil

William Oliveira Publicado em 10/01/2026, às 09h34
Na última sexta-feira (9), o Conselho da União Europeia, órgão que representa os governos dos 27 países do bloco, autorizou a assinatura do acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul. A decisão marca um avanço histórico após mais de 25 anos de negociações entre os dois blocos.
Segundo a União Europeia, o tratado criará uma das maiores zonas de livre comércio do mundo, com redução gradual de tarifas, simplificação do comércio e regras comuns para investimentos. O texto também prevê mecanismos de proteção para setores sensíveis, especialmente o agrícola, além de compromissos ambientais.
Antes da decisão do Conselho, embaixadores europeus já haviam concedido aprovação preliminar ao documento. A Comissão Europeia concluiu as negociações há cerca de um ano, e países como Alemanha e Espanha defendem o tratado como estratégico para ampliar mercados, compensar perdas comerciais causadas por tarifas dos Estados Unidos e reduzir a dependência da China em minerais essenciais.
Apesar do avanço, o acordo ainda precisa ser aprovado pelo Parlamento Europeu, pelos parlamentos nacionais da União Europeia e pelos países do Mercosul para entrar plenamente em vigor.
O tratado começa a ganhar forma prática ao criar uma ampla área de livre comércio entre os dois blocos, permitindo a troca de produtos com tarifas reduzidas e menor burocracia. A soma das economias do Mercosul e da União Europeia resulta em um mercado com PIB próximo a US$ 22 trilhões, o que representa para o Brasil uma oportunidade estratégica de ampliar exportações para mercados desenvolvidos e facilitar o acesso a tecnologia e produtos europeus a preços mais competitivos.
O acordo é composto por dois eixos principais: o Acordo de Parceria Abrangente, que inclui cooperação política e compromissos em áreas como meio ambiente e direitos humanos; e um acordo comercial interino, que permitirá a aplicação antecipada de algumas regras antes da ratificação completa pelos parlamentos nacionais europeus.
O agronegócio brasileiro é apontado como um dos principais beneficiados. Produtos como carne bovina, frango, açúcar e suco de laranja terão tarifas reduzidas ou eliminadas, ampliando o acesso ao mercado europeu, o que pode resultar em maior rentabilidade para os produtores nacionais e maior presença de produtos brasileiros nas prateleiras das principais cidades da Europa.
A indústria nacional também tende a se beneficiar. Máquinas, equipamentos e insumos químicos importados, hoje encarecidos por tarifas elevadas, poderão ser adquiridos com custos menores, favorecendo a modernização do parque industrial brasileiro. Para os consumidores, a expectativa é de redução gradual nos preços de produtos importados ao longo dos próximos anos.
O acordo ainda estabelece compromissos ambientais, incluindo metas de combate ao desmatamento alinhadas ao Acordo de Paris. Esses compromissos podem funcionar como um “selo verde” para os produtos brasileiros, aumentando a confiança de investidores internacionais e ampliando oportunidades de negócios sustentáveis.
A implementação do tratado será gradual, com reduções tarifárias previstas para ocorrer entre cinco e 15 anos, permitindo que empresas brasileiras se adaptem à nova concorrência internacional. No conjunto, o acordo representa uma mudança relevante na estratégia comercial do Brasil, ao ampliar sua inserção no comércio global, buscar maior estabilidade econômica e oferecer preços mais competitivos aos consumidores.
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