
por Marcus Vinícius De Freitas
Publicado em 03/06/2025, às 08h12
O Brasil vive um momento decisivo no cenário internacional. A emergência de uma ordem multipolar, a expansão do BRICS e as reconfigurações em curso nas grandes coalizões globais impõem ao país a necessidade de refletir seriamente sobre seu posicionamento estratégico. No entanto, em vez de assumir com clareza sua vocação como liderança do Sul Global e participante ativo da construção de um novo modelo de governança internacional, parte da elite diplomática e intelectual brasileira insiste em um discurso anacrônico de “equidistância entre blocos”, como se a neutralidade ambígua, por si só, fosse capaz de gerar prestígio e projeção global.
Essa postura, revestida por uma retórica de independência, revela-se, na prática, como ausência de projeto. O Brasil, que participa de todas as grandes cúpulas internacionais — do G20 ao BRICS, da COP à ONU — carece de protagonismo proporcional ao seu tamanho territorial, população e tradição diplomática. O país não lidera agendas estratégicas, não é referência normativa nem tecnológica, e tampouco exerce influência decisiva na própria América do Sul. Sua voz global é, muitas vezes, percebida como hesitante e periférica — um descompasso preocupante entre potencial e atuação.
Nesse cenário, a presença no BRICS representa uma oportunidade valiosa para o Brasil redefinir seu papel internacional. Ainda que alguns analistas sustentem que a ampliação do grupo, com a entrada de novos países, diluiria a influência brasileira, essa leitura ignora um ponto essencial: quanto mais relevante o BRICS se torna, mais importante é ser um de seus fundadores. O Brasil não é mero participante — é um dos países que conceberam a iniciativa que hoje desponta como a principal alternativa ao G7.
Além disso, em um mundo no qual a maioria das nações em desenvolvimento busca voz, acesso e reconhecimento, estar no BRICS amplia o alcance diplomático do Brasil, permitindo diálogo com potências regionais, atores energéticos e países de diferentes continentes com os quais, de outra forma, haveria pouco contato direto. Isso não reduz, mas amplia o peso político brasileiro. Nenhuma Plataforma existente – muito menos o combalido IBAS – oferece protagonismo igual ao Brasil.
A comparação recorrente com a Índia também merece ser tratada com mais cautela. De fato, a Índia adota uma estratégia equivocada de múltiplos alinhamentos: participa do BRICS, mantém relações próximas com Rússia e China, mas também coopera com os Estados Unidos, integra o QUAD com Japão e Austrália, e se projeta como alternativa asiática aliada do Ocidente. Contudo, apesar da retórica de potência emergente, a Índia ainda não é uma potência global plena — e dificilmente será antes de resolver três problemas estruturais: a pobreza que atinge vastas parcelas da população; as tensões religiosas e étnicas que comprometem sua coesão interna; e a relação conflituosa com o Paquistão, que consome energia diplomática e recursos militares. Sua tentativa de equidistância tem mais a ver com seu esforço de tentar conter a China do que de, efetivamente, liderar um novo modelo de governança global.
Ao tentar imitar esse modelo de “neutralidade ambiciosa”, o Brasil corre o risco de não ser visto nem como parceiro confiável nem como liderança alternativa. A suposta autonomia pode, na verdade, traduzir-se em irrelevância estratégica mascarada por um discurso sofisticado.
Em vez de hesitar, o Brasil deveria assumir com firmeza sua posição no BRICS como membro fundador e articulador de pontes, exercendo sua capacidade de diálogo entre Ocidente e Oriente, Norte e Sul, países desenvolvidos e economias emergentes. A tradição diplomática brasileira, sua credibilidade em negociações internacionais e sua vocação para o multilateralismo são qualidades que precisam ser usadas com mais convicção e propósito.
Neutralidade sem direção é omissão disfarçada. O Brasil precisa escolher onde quer estar no novo cenário internacional — e precisa fazê-lo agora. O mundo está em transformação. E quem não ocupa espaço, desaparece do mapa das decisões.

Dom Rafael perde direitos dinásticos após anunciar casamento

Quase 900 cobras escapam de criadouro durante enchentes no sul da China

Messi fica fora de treino antes da semifinal da Copa do Mundo

São Paulo registra madrugada mais fria do ano e cidade aciona plano de proteção contra baixas temperaturas

Sabesp conclui primeira fase de reparos em cratera que deixou nove desabrigados em Osasco

Anvisa libera nova vacina contra a gripe para pessoas a partir de seis meses

França declara governadora argentina persona non grata após publicação sobre Mbappé

Ônibus da EMTU invade casa após motorista errar caminho em Itapevi

Governo eleva mistura de etanol na gasolina para 32% e especialistas divergem sobre impactos nos veículos

Sérgio Moro publica mensagem em defesa de Bolsonaro e Flávio nas redes sociais