Parte I/III

Marcelo Dutra Publicado em 11/04/2023, às 09h05
Existe uma premissa entre especialistas em Recursos Humanos, recrutadores e headhunters sobre profissionais serem contratados, em sua maioria, pelas capacidades técnicas que apresentam e dispensados por comportamentos inadequados. Prova disso, são as constantes reclamações de colaboradores pelos corredores de empresas, nos balcões do RH, ouvidorias, redes sociais e até em encontros informais, quando o assunto “trabalho” aparece: “ não aguento mais tanta fofoca naquele lugar”; “fulano é difícil; meu colega de serviço tem o temperamento forte”; “ o clima é péssimo no meu trampo, quero sair de lá”; “o ambiente na firma está acabando comigo”; “não consigo realizar atividades coletivas”. Reclamações como essas são comuns e vem aumentando.
O ranking das principais contendas aponta para situações que podem ocorrer em qualquer local de prestação de serviço, independente da área de atuação, missão, valores e ou cultura organizacional. Estão distribuídas por distúrbios de convivências associadas a atuação em equipe, falta de empatia para com outros funcionários, busca desenfreada por cargos/promoções, inúmeros preconceitos, incompreensão dos resultados de planos, metas e objetivos corporativos, comunicação grosseira, problemas particulares que invadem o campo profissional, entre outros.
Os comportamentos inadequados no local de trabalho podem ter diversas causas, tais como: dilemas pessoais e familiares mal resolvidos, retorno financeiro insuficiente, doença ocupacional, desmotivação, assédio moral/sexual, falta de adequação ao oficio escolhido e, como agravante, podemos citar a deficiência de empresas e empregadores em realizar diagnósticos abrangentes, e assim perderem oportunidades de antecipar-se a males que poderiam ser facilmente resolvidos se identificados previamente.
Mas o que faz alguém para ser considerado persona non grata entre companheiros de ganha-pão? Algumas ações saltam aos olhos por imediatamente prejudicarem o clima organizacional: falta de assiduidade e pontualidade, que podem afetar ações em conjunto, rendições de plantões e resultados de produtividade; comentários desnecessários, fofocas, “telefone sem fio” (transmissão de informações distorcidas), tem potencial de transformar um ambiente pacifico em belicoso; aprendizado em declínio pode induzir o colaborador ao comodismo e dificuldade em comunicar-se com novos saberes e tecnologias; a deficiência da capacidade de adaptabilidade é capaz de induzir pessoas a serem ensimesmadas e focadas no próprio mundo; desleixo com o local de trabalho, bancada de ferramentas desorganizada, utensílios de uso comum que não são devidamente higienizados, veículos compartilhados entregues em condições degradantes, geram perda de produtividade e até acidentes; ambição exagerada que conduz pessoas ou grupos a um tipo de competição agressiva em que o plano pessoal ou ideológico sobressai a valores éticos-morais.
Em suma, vários fatores colaboram para desestabilização do ambiente de trabalho, mas esse não é um tema para liquidarmos em um único bate-papo. O debate deve ser proposto no local de trabalho, na academia, nas escolas, no terapeuta, em nossas casas e malhado ao máximo com intuito de obtermos convivências mais pacíficas onde quer que seja. Dessa forma, na segunda etapa deste artigo apresentaremos algumas fontes e dados que podem colaborar ainda mais com a discussão.
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